O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, que presta depoimento na CPI da Covid, nesta quinta-feira (6), tem se esquivado de responder quase todas as perguntas, sempre alegando o curto período à frente do Ministério da Saúde e que não pode fazer juízo de valor.
Mas, ao ser pressionado pelo senador Tasso Jereissati (PSDB-CE) sobre a autonomia de estados e municípios para aplicar políticas de isolamento social e, em casos mais graves, o lockdown, o ministro concordou. “Isolamento social e lockdown, o senhor é a favor ou contra”, perguntou o senador Jereissati.
“Medidas extremas podem ser colocadas em prática dentro de cenários específicos. Um município dentro de um estado onde o quadro epidemiológico é grave, mas como uma medida nacional, nós temos um país continental e uma medida como essa não vai surtir o efeito desejado”, disse o ministro.
“A inciativa do presidente da República em proibir que estados e municípios, pois como vossa excelência mesmo disse, que o Brasil é um país continental e as questões regionais são importantes, tomem essa iniciativa, o senhor discorda?”, perguntou na sequência o senador.
“Essa matéria já foi disciplinada pelo Supremo Tribunal Federal…”, começou a responder Queiroga, que foi cortado por Jereissati, “eu quero a posição do Ministério da Saúde pro Brasil, pros prefeitos, pros governadores, pros cidadãos, sobre o assunto”.
“O que nós precisamos é vacinar as pessoas e insistir nas medidas não farmacológicas de uma forma efetiva…”, disse Queiroga.
“Então pelo que eu entendo o senhor acha que estados e municípios devem fazer essa política de distanciamento social ou de lockdown se for o caso… o senhor concorda?”, perguntou novamente Jereissati.
“Claro que eu concordo, senador”, respondeu, enfim, o ministro da Saúde.
Jornalista (USJ), mestre em Comunicação e Semiótica (PUC-SP) e doutor em Ciências Socais (PUC-SP). Professor convidado do Cogeae/PUC e pesquisador do Núcleo Inanna de Pesquisas sobre Sexualidades, Feminismos, Gêneros e Diferenças (NIP-PUC-SP). É autor do livro “A construção da heternormatividade em personagens gays na televenovela” (Novas Edições Acadêmicas) e um dos autores de “O rosa, o azul e as mil cores do arco-íris: Gêneros, corpos e sexualidades na formação docente” (AnnaBlume).