PROCURADORES DA LAVA JATO SABIAM QUE DEPOIMENTO DE REITOR DA UFSC QUE SE SUICIDOU TINHA SIDO FALSIFICADO

Em diálogo, Deltan Dallagnol admite que a delegada Érika Marena, da PF, “lavrou depoimento como se tivesse ouvido o cara (reitor Luiz Cancellier), com escrivão e tudo, quando não ouviu nada”, e completou “dá no mínimo uma falsidade (ideológica)”

Uma das mais reveladoras conversas vazadas pela Operação Spoofing até o momento mostrou, nesta segunda-feira (22), que os procuradores da Lava Jato sabiam que a delegada Erika Marena havia falsificado o depoimento de Luiz Carlos Cancellier, reitor da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina).

O caso aconteceu em 2016, quando Marena acusava o reitor de desvio de recursos da universidade. Uma das peças que o levou à prisão temporária foi um depoimento, que segundo o próprio Deltan Dallagnol, procurador que chefiava a força-tarefa da Lava Jato, havia sido forjada pela delegada.

Em um dos diálogos revelados nesta segunda, o que ocorreram em meados de 2016, Deltan conversa com outro procurador, Orlando Martello Junior, e admite que “como expõe a Erika (Marena): ela entendeu que era pedido nosso e lavrou termo de depoimento como se tivesse ouvido o cara (Cancellier), com escrivão e tudo, quando não ouviu nada… Dá no mínimo uma falsidade (ideológica)…”.

Martello respondeu mostrando que, para ele, o maior problema não era a falsificação em si, mas sim o fato de que tal situação poderia levar ao descrédito da Operação Lava Jato, já que Marena era delegada bastante ligada à força-tarefa de Curitiba – inclusive, foi personagem de um filme sobre a Polícia Federal.

“Se deixarmos barato, vai banalizar (…) vamos combinar com ela de ela nos provocar diante das notícias do jornal para reinquiri-lo ou algo parecido. Podemos conversar com ela e ver qual estratégia ela prefere. Talvez até, diante da notícia, reinquiri-lo de tudo. Se não fizermos algo, cairemos em descrédito”, argumentou o procurador.

Em setembro de 2017, Cancellier chegou a ser preso temporariamente devido às acusações de Marena, dentro da chamada Operação Ouvidos Moucos. No mês seguinte, dias após ser solto e sentindo-se deprimido e injustiçado, o reitor se suicidou.

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