MEGAPANELAÇO MOSTRA QUE FIM DO ISOLAMENTO PODE LEVAR MULTIDÕES ÀS RUAS CONTRA BOLSONAROS

0
captura-de-tela-2021-01-15-axxs-21.00.39
Reprodução

OPINIÃO DO BLOG
15/01/2021.

Da Redação Viomundo.

O presidente da Câmara, Rodrigo Maia, que se nega a pautar o impeachment de Jair Bolsonaro na Câmara, andou titubeando.

Os golpistas de 2016, depois de terem investido pesado na desconstrução dos direitos sociais — para o que precisaram prender Lula e afastar Dilma do poder — ainda se agarram nas reformas de Guedes.

Mas ele seria incapaz de fazê-las se Bolsonaro perder a disputa pela presidência da Câmara.

Um pedaço razoável da esquerda não acredita em aproximação com Baleia Rossi, candidato do MDB apoiado por Maia, por ter certeza de que, como no passado, virá mais traição adiante.

Porém, o cenário é mais complexo do que parece. Se não conquistar a presidência da Câmara, o Centrão sai enfraquecido e pode debandar se o preço for o “adequado”.

Foi o Centrão, afinal, quem entrou com os votos para derrubar Dilma.

Sem base parlamentar sólida, Bolsonaro passaria a depender cada vez mais dos militares para pressionar contra a abertura de um processo de impeachment, preservando suas chances de se reeleger.

Porém, as conjunturas sanitária e econômica são terríveis.

O desemprego bate recorde. O Brasil perde empregos industriais e torna-se cada vez mais dependente do agronegócio.

Com a volta dos Estados Unidos ao Acordo do Clima de Paris, a pressão internacional sobre Bolsonaro vai crescer.

O agro quer ser pop mas, principalmente, não quer correr qualquer risco de boicote internacional a seus produtos.

Mesmo a base de Bolsonaro no agronegócio pode fraquejar.

Com Trump fora do poder e sob investigação por crimes estaduais em Nova York, que não ficam sujeitos ao perdão que Trump considera dar a si próprio e à sua família, o presidente americano corre o risco de ir para a cadeia.

Trump é prova de como a aprovação popular é flutuante: depois do episódio da invasão do Capitólio por seus apoiadores, o apoio ao presidente caiu a apenas 29% dos entrevistados, segundo pesquisa do Pew Research Center, quando ao longo do mandato ficou entre 40% e 45%.

Bolsonaro já perdeu seu guia no cenário internacional.

Falta, na equação, considerar o povo brasileiro.

Bolsonaro parece ter um apoio sólido em uma camada de 30% dos eleitores, que agora será colocado em jogo com o fim do auxílio emergencial.

Essa margem pode, sim, chegar ao osso do bolsonarismo raiz, não superior a 15% dos brasileiros.

O megapanelaço desta noite, nas maiores metrópoles do Brasil, foi a retomada das manifestações contra Bolsonaro, com a fúria causada pelas mortes de pacientes por falta de oxigênio em Manaus.

Em São Paulo, nosso repórter percorreu os bairros de Santa Cecília, Higienópolis, Pacaembu e Consolação e considerou a manifestação recorde.

A previsão de que as vacinas começam a ser aplicadas no Brasil ainda este mês sugere que, no segundo semestre, talvez os protestos possam ser replicados nas ruas, ainda que com máscaras e distanciamento social.

Até lá, já saberemos se Bolsonaro conseguiu ou não o controle da Câmara.

Se conseguir, certamente não vai se intimidar com qualquer multidão.

Se perder, o emedebista Baleia Rossi pode ficar vulnerável à pressão.

O movimento dos que realmente mandam no Brasil — TV Globo e o grande capital financeiro — depende, em certa medida, de mobilização popular que justifique trocar um presidente-bomba, feito Trump, por um militar vaselina, Hamilton Mourão, que seria o fiador de eleições sem tumulto em 2022.

É o que a direita cheirosa quer.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.