NO SEGUNDO TURNO, CANDIDATOS DIVERGEM EM RELAÇÃO AO ENFRENTAMENTO Á COVID-19

Eleição acontece em meio a aumento de casos e de mortes

Pedro Stropasolas
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

O segundo turno das eleições municipais se aproxima e com ele a iminência de uma segunda onda da covid-19 no país. O termo tem aparecido com frequência nos debates e nos veículos de comunicação hegemônicos, mas não é amplamente aceito entre médicos e especialistas, que acreditam que ainda vivemos a primeira fase da doença. 

O agravamento da pandemia em todo o Brasil, porém, é um fato, e sua negação, nas vésperas do pleito, vem sendo notada como estratégia política entre alguns candidatos. 

Rosemary Segurado, cientista política e professora da PUC-SP, considera que a desinformação em relação aos dados e aos riscos ligados ao vírus tem sido uma marca deste período eleitoral. 

“Do ponto de vista de informações da pandemia, o que nós temos é assustador. E claro que isso contamina o debate eleitoral, tendo em vista que a pandemia acaba sendo um dos elementos fundamentais para o próximo governante. Nós vamos lidar com essa situação não sabemos por quanto tempo, mas já sabemos que por um tempo bastante significativo vamos lidar com os efeitos que já temos hoje”, aponta Segurado. 

Em São Paulo (SP), Guilherme Boulos, se eleito, afirma que irá apostar na testagem em massa, no monitoramento epidemiológico, e no uso dos mais de 8 mil agentes comunitários para conter a explosão de casos. 

Nas últimas aparições, o candidato do PSOL vem denunciando a omissão de dados sobre o aumento da covid-19 no município por parte de Bruno Covas (PSDB), que por sua vez, respondeu que não há nenhum dado que esteja escondido. 

Rachel Stuchhi, consultora da Sociedade Brasileira de Infectologia e professora da Unicamp, lamenta a situação. 

“Os hospitais de São Paulo públicos, privados, e os públicos municipais e estaduais estão com um aumento muito expressivo das internações. O que eu vejo com muita preocupação é que a divulgação destes números não têm aparecido, talvez até porque estamos nas vésperas do segundo turno, o que é lamentável”, revela a infectologista.

No plano de governo, o tucano se compromete a expandir a rede pública municipal e ampliar a oferta de vagas, leitos e equipamentos.  

De acordo com os últimos dados do Conselho Nacional de Secretários da saúde (CONASS), desta quarta-feira (25/11), o crescimento da covid-19 no Brasil está retomando níveis apresentados no final de agosto. Só no dia de ontem foram 654 novos óbitos. 

Na capital de Pernambuco, estado com a segunda pior taxa de letalidade pela doença, a candidata Marília Arraes (PT) pretende focar na atenção primária, na cobertura da saúde da família e na criação de centros de diagnóstico para enfrentar a crise sanitária. 

Seu primo e concorrente à prefeitura do Recife, João Campos, com apenas 9 páginas de plano de governo, também ecoa o coro pelo fortalecimento da atenção primária, com a promessa de criação de 11 novas Unidades de Pronto Atendimento (UPA) em áreas de menor cobertura. 

Em Porto Alegre (RS), uma das divergências mais notadas entre os candidatos Sebastião Melo (MDB) e Manuela D’ávila (PCdoB) é quanto à vacina. Enquanto a candidata do PCdoB quer garantir a gestão própria do imunizante e evitar sua politização, o emedebista confia em Jair Bolsonaro para comprá-la e distribuí-la. Ainda em consonância com a opinião do presidente, ele defende que a vacinação não seja obrigatória.  

Em todo o território nacional, o coronavírus já causou a morte de mais de 170 mil pessoas e infectou mais de 6 milhões de brasileiros desde que chegou ao país.

“A vida das pessoas está muito afetada, então olhar com um certo pragmatismo é uma coisa que acaba aparecendo em situações como essa”, finaliza a professora da PUC-SP.

Edição: Raquel Setz

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