Segundo reportagem do The Guardian, o secretário de Defesa Pete Hegseth foi acusado de apresentar uma visão distorcida da guerra ao presidente Donald Trump.
A audiência ocorreu em meio à apresentação do orçamento militar recorde do Pentágono, estimado em US$ 1,45 trilhão, e rapidamente se transformou em um embate político sobre os rumos da guerra. O conflito, que já dura oito semanas, entrou em um impasse estratégico, agravado pelo fechamento do Estreito de Ormuz — ponto-chave para o fluxo global de petróleo.
Durante a sessão, o senador democrata Jack Reed afirmou que Hegseth fez declarações “perigosamente exageradas” ao caracterizar o conflito como uma vitória militar, apesar da ausência de resultados concretos no terreno.
Segundo Reed, o Irã mantém seu regime, estoques de urânio enriquecido e capacidade nuclear ativa — elementos que contradizem a narrativa de sucesso apresentada pelo governo.
Além das críticas à condução militar, Reed destacou o impacto econômico direto sobre a população americana. Segundo o senador, famílias estão arcando com custos mais altos de energia e combustíveis, sem apoio amplo à guerra — um fator que tem pressionado a opinião pública.
O principal ponto de tensão, no entanto, é a credibilidade das informações levadas ao presidente. Reed acusou Hegseth de dizer a Trump “o que ele quer ouvir, e não o que precisa ouvir”, levantando dúvidas sobre a qualidade do aconselhamento estratégico em um momento crítico.
As críticas também atingiram o tom adotado pelo secretário de Defesa. Declarações anteriores defendendo o uso irrestrito da força e prometendo “nenhuma misericórdia” contra o Irã foram classificadas como potencialmente incompatíveis com regras internacionais de engajamento, além de contraproducentes para os objetivos militares.
Hegseth reagiu acusando críticos — incluindo membros do Congresso e a imprensa — de enfraquecer o esforço de guerra. Ainda assim, acabou admitindo que o apoio público pode ser menor do que o inicialmente afirmado.