“ELES QUEREM PEGAR UMA ‘BUCHA’ QUE É PARA VER SE DESENTOCA ALGUMA COISA”, DISSE PAI DE TESTEMUNHA-CHAVE CONTRA FLÁVIO BOLSONARO

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POLÍTICA

09/11/2020.

Da Redação Viomundo.

A troca de mensagens entre pai e filha, revelada domingo pelo programa Fantástico, mostra uma dupla desesperada com a possibilidade de se enrolar no esquema de corrupção organizado por Fabrício Queiroz para favorecer Flávio Bolsonaro.

“Caraca! Tu viu alguma parte do ‘Jornal Hoje’? Bateu direto naquele negócio do Queiroz. Direto isso, a foto dele estampada no ‘Jornal Hoje.’ Agora deu ruim”, escreveu Luiza Sousa Paes.

A jovem havia conseguido emprego no gabinete do deputado estadual Flávio, na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro, depois que o pai pediu ajuda a Queiroz.

Ela ocupou vários cargos na Alerj, mas jamais trabalhou. Do salário recebido, que chegou a R$ 5.264,44, ela ficava no máximo com 700 reais — devolvia o décimo terceiro, o vale alimentação, férias e até a restituição do Imposto de Renda.

O pai da testemunha esperava que Queiroz deixasse a filha de fora da confusão: “Contanto que te tire disso e esqueça isso de uma vez e a gente possa viver nossa vida normalmente. Ele que invente as estórias dele lá”.

Luiza disse que foi instruída a faltar aos depoimentos no Ministério Público e contou que os advogados de Flávio, Queiroz e do clã Bolsonaro, Luis Gustavo Botto Maia e Frederick Wassef, estavam de alguma forma envolvidos em embaralhar as investigações.

“Eles querem pegar um ‘bucha’ que é para ver se desentoca alguma coisa”, escreveu o pai à testemunha.

A “bucha” acabou se tornando a própria Luisa, que contou ao MP tudo o que sabia sobre o esquema em troca de leniência.

A funcionária fantasma chegou a comparecer à Alerj, a pedido de Queiroz, para assinar pontos de maneira retroativa.

No total, ela entregou R$ 160 mil a Queiroz através de depósitos bancários, entre 2011 e 2017. Luisa apresentou os comprovantes.

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