PARA MARCOS COIMBRA, DO VOX POPULI, BOLSONARO NÃO É BOM CABO ELEITORAL EM 2020

Entrevistado no Fórum Sindical, sociólogo destaca falta de interesse na eleição pelo fato de mais da metade dos eleitores ainda não ter candidato na pesquisa espontânea.

O presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, afirmou, na edição do Fórum Sindical desta quarta-feira (28), que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) não está sendo um bom cabo eleitoral para as eleições municipais deste ano.

“De norte a sul do país, o único candidato que ele apoia e está indo bem é o de Fortaleza”, afirmou, em referência a Capitão Wagner (Pros), que está liderando as pesquisas para a eleição da capital cearense.

“No Rio, o Crivella agarrou no Bolsonaro achando que fazia um bom negócio, mas não está sendo”, disse o sociólogo. O prefeito Marcelo Crivella (Republicanos) aparece, nas pesquisas, em empate técnico em segundo lugar com as candidatas Martha Rocha (PDT) e Benedita da Silva (PT).

A apresentadora do programa, Maria Frô, destacou o fato de que, em São Paulo, Celso Russomanno (Republicanos) tirou do ar o jingle da campanha que mencionava o capitão reformado depois de derreter nas pesquisas. Nesse caso, Coimbra destacou que, mais uma vez, o desempenho de Russomanno “degringola”. “É provável que ele repita a história dele”, disse, referindo-se às duas eleições anteriores que o jornalista disputou, largando na frente e depois não ficando nem sem segundo lugar.

“As pessoas estão decepcionadas com esse tipo de político que se diz outsider. Bolsonaro, [Wilson] Witzel no Rio, [Romeu] Zema em Minas ainda não disse a que veio”, avaliou.

Para ele, a situação atual se assemelha ao pleito de 1990. No ano anterior, Fernando Collor tinha ganhado a Presidência da República com discurso semelhante, de rompimento com a política tradicional. Mas o início de seu mandato foi uma decepção, analisa o sociólogo. “A grande maioria do eleitorado então procurou políticos mais conhecidos, com uma biografia”, afirmou.

Desinteresse

Outro fato que Coimbra destacou na entrevista foi a falta de interesse que a população, especialmente das grandes cidades, está demonstrando nessa eleição.

“As pesquisas estão mostrando que mais da metade não tem candidato na chamada pergunta espontânea”, afirmou o sociólogo. Essa é a parte da pesquisa eleitoral em que o entrevistador pergunta, sem apresentar o nome de nenhum concorrente, em quem a pessoa pretende votar. Ele analisa que esse percentual mostra a indiferença que a população está demonstrando. Para Coimbra, “obviamente é reflexo do atual momento”, especialmente com a pandemia do novo coronavírus.

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