PANTANAL: CHUVA NÃO AJUDA E FOGO JÁ DESTRUIU 93% DO PARQUE DO ENCONTRO DAS ÁGUAS

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An injured adult male jaguar walks along the bank of a river at the Encontros das Aguas Park, in the Porto Jofre region of the Pantanal, near the Transpantaneira park road which crosses the world's largest tropical wetland, in Mato Grosso State, Brazil, on September 15, 2020. - The Pantanal, a region famous for its wildlife, is suffering its worst fires in more than 47 years, destroying vast areas of vegetation and causing death of animals caught in the fire or smoke. (Photo by Mauro PIMENTEL / AFP)

Período chuvoso não diminuiu alastramento dos incêndios, que continuam avançando em tempo recorde para grandes áreas

Nara Lacerda
Brasil de Fato

As queimadas no Pantanal continuam avançando e já destruíram 93% dos 108 mil hectares do Parque Estadual Encontro das Águas, o território conhecido por abrigar a maior concentração de onças-pintadas do mundo por km².

De de janeiro até o dia 20 de setembro, o parque registrou 471 focos de calor, enquanto em 2019 não contabilizou nenhum. O parque abriga também as terras indígenas Perigara e Baía dos Guatós, fortemente atingidas pelo fogo. A mesma frente de fogo, ameaça também o Parque Nacional do Pantanal Mato-grossense. 

Nos últimos dias, a Estação Ecológica Taiamã também foi atingida, com pelo menos 27% de sua área impactada. Os dados foram divulgados pelo Instituto Centro de Vida (ICV), que realiza monitoramento a partir de  inovações em geotecnologia. As expectativas de que o fim do período de seca na região poderia controlar o alastramento do fogo foram frustradas.

Leia mais: Como o desmonte de órgãos ambientais tem relação direta com o fogo nas florestas

Imagens de satélite mostram que as primeiras chuvas de setembro não diminuíram o avanço do fogo. Na estação Taiamã, ilha localizada em área de encontros de águas no rio Paraguai,  mais de 3,1 mil hectares já foram queimados. A unidade tem um total de 11,6 mil hectares. Além da fauna e da flora, o fogo coloca em risco também uma base de pesquisas da Universidade Estadual de Mato Grosso.

Veja a evolução do fogo na Estação Ecológica Taiamã em um intervalo de 25 dias:

Vinícius Silgueiro, coordenador do Núcleo de Inteligência Territorial do ICV, avalia que a velocidade do alastramento é muito crítica, “Os incêndios esse ano no Pantanal têm consumido grandes áreas em um intervalo de poucos dias. A situação das áreas protegidas é ainda mais crítica pois são áreas de acesso bastante limitado”, afirma ele. 

O ICV já havia alertado anteriormente que o impacto nas áreas protegidas chegou a recordes sem precedentes em Mato Grosso. Os focos de calor nas unidades de conservação passaram de 630 entre janeiro e setembro. No ano passado o registro ficou em 19. 

Edição: Rodrigo Chagas

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