ATAQUE A PRESIDENTE DA OAB VAZOU UM DIA ANTES DE AÇÃO. EM FEVEREIRO, SANTA CRUZ REPRESENTOU CONTRA BRETAS
A “delação” encomendada contra o Presidente da OAB soa como música aos ouvidos dos delinquentes fascistas. Não há crime, mas fofoca. A intenção é calar a voz potente de Felipe Santa Cruz e a entidade por ele presidida na defesa da democracia. Wadih Damous, ex-presidente da OAB/RJ
Da Redação
O anexo da delação de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, referente ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, vazou um dia antes da operação deflagrada pela Operação Lava Jato no Rio.
Vazou para a CNN e logo se tornou um hit entre bolsonaristas nas redes sociais.
Orlando disse que Santa Cruz pediu dinheiro para fazer sua campanha à OAB do Rio em 2014 e que teria transferido 120 mil para o atual presidente da entidade através de um contrato fictício com um advogado laranja, Anderson Prezia.
Felipe Santa Cruz é um dos maiores críticos do presidente Jair Bolsonaro, que é próximo de Marcelo Bretas, o juiz que comanda a Lava Jato no Rio de Janeiro.
Em fevereiro deste ano, a OAB representou contra Bretas pelo fato de o juiz ter participado de um evento político-partidário com o presidente Bolsonaro e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (veja representação abaixo).
Na ocasião, o diário conservador carioca O Globo reportou:
O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato no estado, está a cada dia mais afinado com o Palácio do Planalto, a ponto de manter conversas privadas com o presidente e participar até de inauguração de obra.
No sábado, antes de aparecer próximo a Bolsonaro em um vídeo cantando música entoada pelo missionário R.R Soares, Bretas esteve na inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha.
O magistrado chegou ao local no carro oficial do próprio presidente e subiu em um palco para discursos ao lado de ministros, prefeitos e deputados, situação atípica para a função que exerce nos tribunais.
Na ausência do governador Wilson Witzel (PSC-RJ) — adversário declarado do presidente — acabou sendo a principal autoridade fluminense convidada para o evento.
A relação tête-à-tête entre Bolsonaro e Bretas começou a ser construída em 2 de junho do ano passado, quando o juiz desembarcou em Brasília para passar algumas horas de um sábado com o presidente em uma agenda não divulgada.
Foi o mesmo período no qual Bolsonaro disse que gostaria de nomear para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro “terrivelmente evangélico” — Bretas é adepto da religião.
Em nota, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse que a delação é “fantasiosa”:
O presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz, rechaça com veemência as ilações mentirosas dessa delação fantasiosa.
Tais mentiras só podem ser interpretadas como retaliação à ação do dr. Felipe Santa Cruz como advogado do SESC e do SENAC/RJ em processo no TCU, justamente pedindo ressarcimento dos danos causados pelo delator às organizações – processo esse em que esse senhor foi condenado a devolver mais de R$ 58 milhões aos cofres do Sesc e do Senac estaduais por um convênio ilegal.
Está clara a intenção de destruir reputações para tentar escapar de penas pesadas às quais são submetidos aqueles que, como o pretenso delator, cometem crimes.
OAB vs. Bretas by Azenha Luiz on Scribd