ATAQUE A PRESIDENTE DA OAB VAZOU UM DIA ANTES DE AÇÃO. EM FEVEREIRO, SANTA CRUZ REPRESENTOU CONTRA BRETAS

0
captura-de-tela-2020-09-09-axxs-13.34.57
Reprodução

POLÍTICA

09/09/2020.

A “delação” encomendada contra o Presidente da OAB soa como música aos ouvidos dos delinquentes fascistas. Não há crime, mas fofoca. A intenção é calar a voz potente de Felipe Santa Cruz e a entidade por ele presidida na defesa da democracia. Wadih Damous, ex-presidente da OAB/RJ

Da Redação

O anexo da delação de Orlando Diniz, ex-presidente da Fecomércio do Rio de Janeiro, referente ao presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, vazou um dia antes da operação deflagrada pela Operação Lava Jato no Rio.

Vazou para a CNN e logo se tornou um hit entre bolsonaristas nas redes sociais.

Orlando disse que Santa Cruz pediu dinheiro para fazer sua campanha à OAB do Rio em 2014 e que teria transferido 120 mil para o atual presidente da entidade através de um contrato fictício com um advogado laranja, Anderson Prezia.

Felipe Santa Cruz é um dos maiores críticos do presidente Jair Bolsonaro, que é próximo de Marcelo Bretas, o juiz que comanda a Lava Jato no Rio de Janeiro.

Em fevereiro deste ano, a OAB representou contra Bretas pelo fato de o juiz ter participado de um evento político-partidário com o presidente Bolsonaro e o prefeito do Rio, Marcelo Crivella (veja representação abaixo).

Na ocasião, o diário conservador carioca O Globo reportou:

O juiz Marcelo Bretas, da 7ª Vara Federal do Rio, responsável pelos processos da Operação Lava-Jato no estado, está a cada dia mais afinado com o Palácio do Planalto, a ponto de manter conversas privadas com o presidente e participar até de inauguração de obra.

No sábado, antes de aparecer próximo a Bolsonaro em um vídeo cantando música entoada pelo missionário R.R Soares, Bretas esteve na inauguração da alça de ligação da Ponte Rio-Niterói com a Linha Vermelha.

O magistrado chegou ao local no carro oficial do próprio presidente e subiu em um palco para discursos ao lado de ministros, prefeitos e deputados, situação atípica para a função que exerce nos tribunais.

Na ausência do governador Wilson Witzel (PSC-RJ) — adversário declarado do presidente — acabou sendo a principal autoridade fluminense convidada para o evento.

A relação tête-à-tête entre Bolsonaro e Bretas começou a ser construída em 2 de junho do ano passado, quando o juiz desembarcou em Brasília para passar algumas horas de um sábado com o presidente em uma agenda não divulgada.

Foi o mesmo período no qual Bolsonaro disse que gostaria de nomear para o Supremo Tribunal Federal (STF) um ministro “terrivelmente evangélico” — Bretas é adepto da religião.

Em nota, o presidente da OAB, Felipe Santa Cruz, disse que a delação é “fantasiosa”:

O presidente do Conselho Federal da OAB, Felipe Santa Cruz, rechaça com veemência as ilações mentirosas dessa delação fantasiosa.

Ressalta que nunca pediu qualquer tipo de apoio para campanha da Ordem ou negociou qualquer serviço com o senhor Orlando Diniz.

Tais mentiras só podem ser interpretadas como retaliação à ação do dr. Felipe Santa Cruz como advogado do SESC e do SENAC/RJ em processo no TCU, justamente pedindo ressarcimento dos danos causados pelo delator às organizações – processo esse em que esse senhor foi condenado a devolver mais de R$ 58 milhões aos cofres do Sesc e do Senac estaduais por um convênio ilegal.

Está clara a intenção de destruir reputações para tentar escapar de penas pesadas às quais são submetidos aqueles que, como o pretenso delator, cometem crimes.

OAB vs. Bretas by Azenha Luiz on Scribd

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.