“QUEM RECEBE DINHEIRO PARA FAZER CAMPANHA DE ÓDIO É CRIMINOSO”, DIZ BARROSO
Brasília - O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Luís Roberto Barroso participa da palestra Direito à Água promovida pela UniCEUB (José Cruz/Agência Brasil)
Manifestação ocorre durante retomada do julgamento sobre a constitucionalidade do inquérito das fake news
Jornal GGN – O ministro Luis Roberto Barroso afirmou nesta quarta (17) que a “democracia comporta militância, sim, progressista, conservadora, faz parte da vida.” Mas “quem recebe dinheiro para fazer campanhas de ódio não é militante. Primeiro, é mercenário; segundo, é criminoso.”
A manifestação do ministro ocorreu durante retomada de julgamento no Supremo Tribunal Federal sobre uma ação da Rede Sustentabilidade que questiona a portaria que instaurou o chamado inquérito das fake new
O inquérito 4781 apura ataques à honra e ameaças à segurança dos ministros do STF. No final de maio, o relator Alexandre de Moraes autorizou uma série de buscas e apreensão e quebra de sigilo contra blogueiros e empresários bolsonaristas suspeitos de incentivar os ataques à independência do Poder Judiciário. Segundo Moraes, eles também são suspeitos de relação com o “gabinete do ódio” do governo Bolsonaro.
As investigações do STF podem abastecer com provas as ações eleitorais que pedem a cassação da chapa Bolsonaro-Mourão. As ações mais relevantes tratam justamente do financiamento empresarial ilícito de disparos de fake news em massa, via WhatsApp.
Para Barroso, que também é presidente do Tribunal Superior Eleitoral, “causas financiadas” e motivadas por ódio são “bandidagem pura e é preciso reagir a isso”.
O ministro votou pela improcedência da ação da Rede, mas fez um apelo para que o inquérito das fake news tenha seu objeto bem delimitado para evitar críticas.
Para Barroso, os ataques à honra devem ser tratados individualmente por cada ministro, restando ao inquérito às manifestações que “representem riscos efeitos à independência” do Supremo.
PLACAR DE VOTAÇÃO
Barroso é o terceiro a votar pela rejeição da ação da Rede, seguindo o relator ministro Edson Fachin, que leu seu relatório na semana passada.
Mais cedo, nesta quarta (17), o ministro relator do inquérito, Alexandre de Moraes, também defendeu a constitucionalidade da portaria que instaurou a investigação.
“Ao STF compete – é mais que direito, é dever – a defesa constitucional da Corte e da independência de seus magistrados. A independência que só será assegurada quando garantidas a integridade física e psíquica, e a própria vida dos ministros contra as ameaças”, afirmou Moraes.
Moraes argumentou também que o Supremo pode promover investigação em caráter preliminar, e isso não representa uma afronta nem viola o devido processo legal. “Não podemos confundir – e essa Corte jamais confundiu – titularidade de ação penal pública com possibilidade de investigação.”
Segundo ele, a Procuradoria-Geral da República está acompanhando as investigações e poderá exercer seu papel ao final, decidindo se apresentará ou não denúncias formais contra os investigados que têm foro privilegiado. Os demais estão sendo encaminhados às instâncias competentes.