BOLSONARISMO E DESTRUIÇÃO DA CULTURA: “A UM PASSO DO FASCISMO”, ALERTA A FILÓSOFA INÁ CAMARGO

Brazilian President Jair Bolsonaro greets supporters in front of the Planalto Palace, after a protest against the National Congress and the Supreme Court, in Brasilia, on March 15, 2020. (Photo by Sergio LIMA / AFP)

ENTREVISTA

Filósofa rastreia o termo marxismo cultural e identifica as armas usadas pelo fascismo do século passado no Brasil hoje

Nara Lacerda
Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

 

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Bolsonaro participa de mais um dos “protestos da morte”, contra o isolamento social, o Congresso e o STF. – Sergio Lima/AFP

Em um dos trechos de sua mais recente obra, Dialética do Marxismo Cultural, a pesquisadora e filósofa, Iná Camargo Costa, afirma que “a combinação de ressentimento, racismo e anticomunismo” foi diretamente responsável pelo crescimento e reforço dos entusiastas de Hitler e, consequentemente, do nazismo. A fórmula, que parece se repetir no Brasil de hoje, teve na destruição da cultura um dos principais pontos de apoio.

No livro, a autora faz uma caminhada histórica às origens do termo “marxismo cultural”, usado ostensivamente pela direita conservadora atual para pregar a destruição de uma produção artística que teria origem na esquerda e seria supostamente doutrinadora.

“É uma operação violentíssima do ponto de vista intelectual e do ponto de vista físico. Porque eles vão para o ataque com todas as armas. As armas deles são as armas dos selvagens, porque eles não têm referências e eles são intelectualmente muito deficientes”, afirma a autora sobre a aplicação irrestrita do termo para definir inclusive representantes do liberalismo e conservadorismo.

As semelhanças entre o bolsonarismo e o fascismo do século passado para calar as artes são, no mínimo, estarrecedoras. “Nós estamos a um passo do maio de 33 de Hitler, que é o poder absoluto nas mãos do chefe do executivo. A oficialização do regime fascista no nosso caso tem um ou dois meses ainda para acontecer, mas está posto e é isso que o titular do cargo de presidente quer”, diz Costa.

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Ela aponta que essa trajetória teve inicio em 2013 após os protestos de junho e começou a se concretizar em 2015 com as articulações para a derrubada da presidenta Dilma Rousseff.

“O caminho começou em 2013. O caldo para um regime fascista no Brasil está dado oficialmente desde 2015, só não vê quem não quer. Em 2015 eu disse que, uma vez consolidado o impedimento da ex-presidenta Dilma Rouseff, nós já teríamos um regime fascista.  O Michel Temer já é o início disso”, aponta.

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Em entrevista ao Brasil de Fato, a professora aposentada da Universidade de São Paulo (USP) e assessora da Coordenação de Cultura do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), fala sobre as conclusões da obra e convoca a sociedade para um combate, que passa necessariamente pela apropriação do termo marxismo cultural.

Confira a entrevista completa com Iná Camargo Costa

Brasil de Fato: Marxismo cultural é uma expressão que ficou recentemente conhecida pela boca de políticos conservadores, que usam a expressão com interesse de identificar alvos que devem ser eliminados, como vírus, de universidades, do meio cultural, etc. Mas qual é a origem histórica do conceito? Ele faz sentido para aqueles que defendem a democracia, a liberdade e o socialismo?

Iná Camargo: É por essa pergunta que eu intitulei meu trabalho de Dialética do Marxismo Cultural. Ao mesmo tempo, eu quero identificar o DNA da expressão e mostrar que os marxistas podem perfeitamente ter algo a dizer, por causa da nossa longa experiência, que vem desde o começo do século XIX com as questões culturais. 

Na verdade a expressão era bolchevismo cultural. O inimigo era o nazismo que, como todo mundo sabe, é inimigo da humanidade, não é só do judeu e do marxista. Então, eu fui fazer um rastreamento, porque eu vi como a operação se deu já na obra do Hitler e nos trabalho dos asseclas dele. É uma cambada e o mais conhecido é o Joseph Goebbels, ministro da cultura nazista. 

Aquele caldo de cultura, que deu origem à expressão bolchevismo cultural, era ódio. Não somente da classe trabalhadora organizada, portanto dos marxistas, mas também um ódio do Ocidente, porque a Alemanha perdeu a primeira guerra mundial. É essa Alemanha e os veteranos dessa derrota que começaram com essa história de culpar, de um lado judeus e de outro marxistas. 

Para pegar agora o nosso fio: a social democracia tinha um programa ambiciosíssimo na frente cultural. Patrocinava as atividades mais diversas e interessantes no campo cultural. Em 1917, com a Revolução Comunista, os nazistas então bateram no liquidificador a tradição marxista e tradição bolchevique e forjaram a expressão bolchevismo cultural que, na opinião deles, era um vírus a ser combatido. 

 Aquele caldo de cultura, que deu origem à expressão bolchevismo cultural, era ódio. Não somente da classe trabalhadora organizada, portanto dos marxistas, mas também um ódio do Ocidente, porque a Alemanha perdeu a primeira guerra mundial. É essa Alemanha e os veteranos dessa derrota que começaram com essa história de culpar, de um lado judeus e de outros marxistas.

 

Assemelha-se ao que temos visto hoje no Brasil, quando o bolsonarismo ataca qualquer cultura que não seja a pregada por ele e chama isso de doutrinação do marxismo cultural?

É por isso que é importante não esquecer. Assim como os nazistas na Alemanha e os fascistas na Itália eram inimigos da humanidade, os seus herdeiros hoje também são inimigos da humanidade. Por que eles atacam o marxismo? Porque eles reconhecem no marxismo uma força política e organizativa que pode destruir o sistema que eles defendem. 

Estou falando de luta de classes entre os inimigos do capitalismo – que se reúnem sob a bandeira do marxismo – e os que defendem o capitalismo com todas as armas, inclusive a desonestidade intelectual. Dialeticamente, identificada a origem da expressão marxismo cultural, é preciso resgatar a nossa verdadeira tradição de luta no campo cultural. 

Eles nos chamam de marxistas culturais? Somos sim! Vamos, então, desenvolver as pautas marxistas no plano da cultura! Essa é a dialética!

 Assim como os nazistas na Alemanha e os fascistas na Itália eram inimigos da humanidade, os seus herdeiros hoje também são inimigos da humanidade. Por que eles atacam o marxismo? Porque eles reconhecem no marxismo uma força política e organizativa que pode destruir o sistema que eles defendem. 

 

Podemos dizer que seu livro traz uma atitude dialética ao rastrear na história os momentos em que essa expressão apareceu e, a partir daí, reorganizar o campo da tradição revolucionária, dos que lutaram pelo socialismo e pela liberdade?

Esse é o nosso desafio. Por que é importante passar pela tradição estadunidense? Florestan Fernandes foi o primeiro a dizer que a história do século XX pode ser escrita sobre rubrica da contrarrevolução permanente. O inimigo mais feroz do comunismo e de tudo o que se seguiu e que constitui a nossa tradição está nos Estados Unidos.

A guerra ao comunismo e, mais recentemente, ao marxismo cultural começou nos Estados Unidos em 1917. É de lá que vem todo esse lixo que o bando bolsonarista bateu no liquidificador e passou a usar desde o programa da campanha presidencial.

Em seu ensaio você afirma que “o pesadelo e objeto de fúria e do ódio do líder nazista são as experiências culturais desenvolvidas por socialdemocratas e bolcheviques na Alemanha” e, mais adiante, você constata que “uma vez no poder, o nazismo efetivamente desencadeou a mais vasta guerra de que se tem notícia contra todas as manifestações culturais que rotulou de bolchevismo cultural ou arte degenerada”. Atualmente, quais experiências de organização política e cultural você acredita que estão sob ameaça diante do avanço da extrema direita?

A nossa situação é ainda mais grave do que foi na Alemanha, porque eles tinham nome, endereço e telefone dos inimigos, que eram os artistas de esquerda. O que a direita americana fez e a brasileira herdou? Eles não se limitam à esquerda. Eles ampliaram os conceitos, de modo a pegar inclusive os liberais e as instituições que, a duríssimas penas o Brasil foi construindo. 

A criação da escola pública e todos esses aparelhos de produção cultural e educação. Havia uma perspectiva de democratização do acesso à cultura no Brasil até a década de 1950, começando por alfabetização e escolarização. A ditadura destruiu o projeto e, agora, o bolsonarismo está destruindo as próprias instituições. 

Qual é o objetivo? É destruição, não só da cultura de esquerda, é a destruição da cultura como um todo. Não tenha dúvida, é a versão brasileira do fascismo. No entanto, de um modo geral, quando nós imitamos os outros procedimentos, a gente cai na farsa. O tom é sempre farsesco. Para quem trabalha com cultura, precisamos nos especializar nos recursos críticos da sátira e da farsa, porque é nesta língua que nós podemos destruí-los culturalmente. 

 A nossa situação é ainda mais grave do que foi na Alemanha, porque eles tinham nome, endereço e telefone dos inimigos, que eram os artistas de esquerda. O que a direita americana fez e a brasileira herdou? Eles não se limitam à esquerda. Eles ampliaram os conceitos, de modo a pegar inclusive os liberais e as instituições que, a duríssimas penas o Brasil foi construindo. 

 

O segundo episódio do fantasma do marxismo cultural, abordado no ensaio ocorre, nos Estados Unidos. Você menciona que com o início da Guerra Fria é feito um acordo que envolve agentes da Indústria Cultural, o Motion Picture Alliance for the Preservation of American Ideals [Aliança do Cinema para Preservação dos Ideais Americanos] com algumas diretrizes como por um lado “não caluniar” o sistema de livre iniciativa, os empresários, a riqueza, a busca do lucro e, por outro, “não divinizar” os pobres; e “não glorificar” o coletivo. Podemos afirmar que esses pilares ainda hoje estão presentes?

Isso foi enunciado! Eu me limitei a traduzir uma parte, porque a lista é grande. Desde 1945 a ideologia está explicitada. Virou programa político da indústria cultural. É consciente, é deliberado. Não é mais uma discussão sobre ideologia. É programa político ideológico explícito por escrito. Portanto, é esse o nosso alvo. É isso que nós temos que combater. Virou programa político da indústria cultural. É consciente, é deliberado. Não é mais uma discussão sobre ideologia. É programa político ideológico explícito por escrito. Portanto, é esse o nosso alvo. É isso que nós temos que combater. O programa é o mesmo. A gente não pode se enganar. O nosso inimigo é poderoso e sabe o que está fazendo. 

 O programa é o mesmo. A gente não pode se enganar. O nosso inimigo é poderoso e sabe o que está fazendo. 

 

No ensaio você aponta que representantes do terceiro momento de perseguição apologética ao marxismo cultural nos EUA estão conectados ao uso dessa expressão como arma de ataque contra a esquerda. Você cita que é um movimento que “não passa de extensão à neocolônia da pauta metropolitana” e conta com a ação de figuras como Olavo de Carvalho.

Outra frente de ataque aponta parte da igreja católica, no combate ao que chamam de ideologia de gênero, que ataca por consequência pautas como o feminismo, a luta LGBT. Fale um pouco mais sobre essas alianças entre as extremas direitas católica, evangélica e a política neofacista no Brasil. Esses entes estão no mesmo barco de maneira consciente?

Inicialmente, a gente precisa lembrar que toda essa pauta chamada identitária provêm do campo liberal. E aqui existe um campo misturado, que tem progressismo e tem tática diversionista também, porque a gente sabe que a pauta liberal é muito limitada. Mas de qualquer maneira, esses movimentos desenvolveram uma luta muito importante nos Estados Unidos, especialmente o feminismo e o LGBT. 

A operação do inimigo é colocar a pauta liberal no pacote do marxismo cultural. E aí agora vem a minha proposta: eles puseram tudo no mesmo balaio? Então vamos realmente consolidar a nossa aliança com todos esses tipos de oprimidos. Vamos organizar esse balaio e incorporar as nossas pautas da luta de classes. Já que estamos levando a fama, vamos deitar na cama. Foram eles que criaram. De novo a dialética: eles empurraram para o nosso colo os liberais de esquerda? Ok, vamos acolher!

Agora respondendo diretamente à pergunta: as pessoas se esquecem, por exemplo, que o papa Bento XVI foi o principal dirigente do santo ofício. É a extrema direita da igreja católica. Uma das especialidades deles foi perseguir padres progressistas. É daí que surgiu a expressão ideologia de gênero. Foram eles que forjaram essa expressão, supostamente em nome da família. A ironia é que os casos mais graves de pedofilia estão na igreja católica. Veja como a coisa é complexa e muito perversa! 

Pois bem, o Brasil tem versões diversas dessa extrema direita católica. É uma coisa lamentável. É um problema da igreja católica, que se aliou ao que tem de pior na extrema direita evangélica e neopentecostal. Tem coisas horrendas e é tudo muito hipócrita. Eles desprezam os arranjos familiares contemporâneos, que geralmente decorrem de opções das mulheres, que tem que se virar para viver. Eles desqualificam. Eles estão contra o processo histórico objetivo. 

Nós temos uma história tremenda de lutas. Temos o que defender. Temos que ir ao ataque. Temos que defender todas as formas de família. É a vida! Eles não valorizam a vida a ponto de condenar o aborto? Assegurar a continuidade da vida também é um desafio e nós fazemos isso. 

 Eles puseram tudo no mesmo balaio? Então vamos realmente consolidar a nossa aliança com todos esses tipos de oprimidos. Vamos organizar esse balaio e incorporar as nossas pautas da luta de classes. Já que estamos levando a fama, vamos deitar na cama. Foram eles que criaram. De novo a dialética: eles empurraram para o nosso colo os liberais de esquerda? Ok, vamos acolher!

 

Sobre a atualidade do problema: você diz em seu ensaio que “a combinação de ressentimento, racismo e anticomunismo” produz o caldeirão onde germinará o entusiasmo dos fanáticos por Hitler (…)”. Esse caldeirão está fervendo novamente? Num país como o Brasil, em que o racismo tem o lastro estrutural da escravidão e do colonialismo, em que o anticomunismo não deixou de ser parte da doutrina dos cursos militares depois da redemocratização, temos um contexto com chão histórico semelhante ao que deu origem ao nazi-fascismo na Alemanha? A inspiração do ex-secretário de cultura Roberto Alvim, no discurso a la Goebbels – que acabou por o defenestrar do cargo –  é indício de que o fascismo vigora em nosso meio, de forma estrutural, ou você considera aquela imitação textual, de cenário e figurino apenas uma questão de imitação de estilo?

Quando eu escrevi falando dos nazistas eu estava pensando nas cenas que eu vi de pessoas indo para manifestações na avenida paulista em 2015. Eu perdi a conta dos pequenos burgueses, essa classe média que tem uma lojinha. Por que eles foram para as ruas? Porque estavam a um passo da falência. O que eles não compreendem é que os desastres pessoais deles são decorrentes da regra do sistema capitalista: quem pode mais chora menos. Eles não compreendem isso por limitação objetiva. Eles pensam que a ameaça do comunismo produz o pavor da falência neles. 

Eu vi esse processo de organização das pessoas. Pessoas fracassadas, ameaçadas de fracasso, de falência, frustradas, gente que não conseguiu ser o que queria ser da vida, porque o capitalismo no Brasil é o que é. Essas pessoas abraçaram a causa bolsonarista. 

Nós Estamos a um passo do momento maio de 33 de Hitler, que é o poder absoluto nas mãos do chefe do executivo. O caminho começou em 2013. O caldo para um regime fascista no Brasil está dado oficialmente desde 2015, só não vê quem não quer. Em 2015 eu disse que, uma vez consolidado o impedimento da ex-presidenta Dilma Rouseff, nós já teríamos um regime fascista.  O Michel Temer já é o início disso. 

Toda a discussão, desvio de assunto, não olha diretamente o que tem que olhar, contribuiu para retardar a percepção. Simplificando estupidamente: a frustração com o PT levou ao golpe e à instalação do primeiro capítulo do regime fascista no Brasil, que foi o Temer. Como no caso Mussolini e no caso Hitler, a coisa tem um ritmo variado, conforme as circunstâncias. A oficialização do regime fascista no nosso caso tem um ou dois meses ainda para acontecer, mas está posto e é isso que o titular do cargo de presidente quer.

 Eu vi esse processo de organização das pessoas. Pessoas fracassadas, ameaçadas de fracasso, de falência, frustradas, gente que não conseguiu ser o que queria ser da vida, porque o capitalismo no Brasil é o que é. Essas pessoas abraçaram a causa bolsonarista. 

 

A terceira parte de seu ensaio se destina a apresentar as armas da esquerda. O que significa o “marxismo ocidental”? De onde surge essa tradição crítica e como ela se organiza? Quais são as principais obras e autores de referência para quem quer tomar contato com esses estudos?

É importante falar do marxismo ocidental, porque esse foi o peão no tabuleiro estadunidense. É um setor do marximo configurado como um grupo de filósofos e outros intelectuais que preservaram – no todo ou em partes – o marxismo. Todos têm vínculos intelectuais com o marxismo. 

A escola de Frankfurt é o primeiro capitulo do marxismo ocidental. A marca fundamental do marxismo ocidental é que ele é praticado por pessoas desvinculadas de organizações políticas. São intelectuais, na universidade, na esfera pública. Adorno e Horkheimer foram para os Estados Unidos e lá fizeram pesquisas sobre o fascismo dos Estados Unidos. Então, o que a extrema direita americana fez? Identificou a escola de Frankfurt como o principal pilar do marxismo ocidental. 

É um caldeirão de bruxas. Bobeou é marxista. É uma tática também deliberada. Eles colocam o rótulo comunista até nos liberais. Os canais de televisão como CNN e NBC, para a extrema direita são todos comunistas. O que explica aqui no Brasil chamarem a Globo de comunista. Eles aplicam o rótulo sem mediações. É uma operação violentíssima do ponto de vista intelectual e do ponto de vista físico. Porque eles vão para o ataque com todas as armas. As armas deles são as armas dos selvagens, porque eles não têm referências e eles são intelectualmente muito deficientes. 

 É um caldeirão de bruxas. Bobeou é marxista. É uma tática também deliberada. Eles colocam o rótulo comunista até nos liberais.

 

O fenômeno das redes sociais impõe novos desafios para a construção de uma cultura política revolucionária? Você acredita que precisamos nos inserir e disputar por dentro desses meios ou manter ou criar frentes de resistência que não os tornem centrais?

Eu acredito em tudo isso. Eu só não acredito em disputa liberal. Não basta abrir um canal. A coisa tem que ser organizada e, num primeiro momento, ter função de organizar os que já são simpatizantes. Na vida real e nas redes, para fortalecer o processo. É o equivalente às propostas do Lenin, que tinha objetivo de formar militantes que não precisassem de ordem. Que fossem capazes de, em uma determinada situação, formular a questão básica. O programa do partido tinha teses básicas e, em cada situação, o militante devidamente preparado sabia o que fazer. 

Saber o que fazer! Você usa o recurso de comunicação para ampliar o alcance da sua proposta. Aqui entra a rede social, mas sem ilusões, porque nós sabemos que todas são controladas pelo grandíssimo capital. Veja o nível de organização e acumulação do grande capital. 

 Você usa o recurso de comunicação para ampliar o alcance da sua proposta. Aqui entra a rede social, mas sem ilusões, porque nós sabemos que todas são controladas pelo grandíssimo capital. 

 

Que papel a relação entre arte e política podem cumprir num contexto de ataque como o que vivemos?

Acredito totalmente nessa possibilidade. A questão é o que fazer? Afirmar a nossa identidade política, que é marxista! Afirmando todos os que nos precederam em todas as frentes, inclusive e, sobretudo, a cultural. A arte pode desempenhar um papel esclarecedor de extrema importância. 

Temos que afirmar nossa pauta de lutas, porque somos marxistas culturais. Temos que colocar a nossa percepção do que é marxismo cultural. Nada mais é do que a atuação marxista na frente cultural. A cultura popular, por exemplo, é uma referência fundamental para nós. No Brasil, ela é a melhor expressão da resistência do povo oprimido à classe dominante. 

 A arte pode desempenhar um papel esclarecedor de extrema importância (…) A cultura popular, por exemplo, é uma referência fundamental para nós. No Brasil, ela é a melhor expressão da resistência do povo oprimido à classe dominante. 

 

Autores recomendados por Iná Camargo Costa: 

Terry Anderson: “O Marxismo Ocidental é uma obra preciosa e que produz os elementos que a gente precisa para entender a operação dos nossos inimigos selvagens.”

Theodor Adorno e Max Horkheimer: “Toda a obra deles é extremamente relevante para entender o fascismo do pós guerra, a começar pela Dialética do Iluminismo

Vladimir Lenin e Leon Trótski: “Continuam atualíssimos e colocam caminhos, programas e métodos para a luta contra o capitalismo.”

Rosa Luxemburgo: “Contribui para entender a mentalidade do pequeno burguês desesperado. Aquele que acredita no capitalismo, mas que é derrotado pelo próprio capitalismo.”
 

Edição: Leandro Melito

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