QUANDO A POLÍCIA INVADIU O ENSAIO DA MANGUEIRA NO RIO E O MESTRE CARTOLA, IMPEDIDO DE SAMBAR, PROTESTOU CONTRA O SISTEMA

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08/12/2019.

por Conceição Lemes

Num dos grupos de whatsapp que participo, me deparei hoje à tarde com esta preciosidade, postada por Sylvio Souza.


— Sylvio, você teria o link de onde foi publicado?–, perguntei-lhe, de pronto. 

Afinal, dar o crédito é FUNDAMENTAL.

–– Eu e o Beto estamos procurando também….já achamos o dono do post original, mas não encontramos o post em si.

O Beto a que se Sylvio se refere é o Beto Mafra, que muitos leitores do Viomundo já conhecem por seus textos, aqui publicados.

A cantora Nani Menezes resgatou a foto e o texto e publicou em seu perfil de uma rede social publicou.

O texto, muito bom, é de Joel Paviotti. A foto histórica, de Eurico Dantas.

— Beto, quem achou essa preciosidade? 

— O Sylvio “achou”. Faz três dias que estamos procurando o post original. Fucei, fucei, sem achar…

Dois minutos depois, o Beto:

— ACHEI!!! Estava procurando pelo texto e o caminho era a foto. Dei um google, em 2 minutos achei.

Beto e Sylvio, obrigadíssima pela parceria e colaboração.

Sylvio volta à carga:

— O crédito é do Pivotti que trouxe à luz esse fato histórico que nunca tive conhecimento… Eu tinha 14 anos na época.

— Com isso descobrimos que o problema não é funk, não é samba…o problema se chama Globo e oligarquia.

Quando o rei do samba foi impedido de sambar.

por Joel Paviotti, em Iconografia da História

Em 1976, a polícia invadiu o Ensaio da Escola de Samba Estação Primeira de Mangueira que ocorria na rua Visconde de Niterói, no Rio de Janeiro.

Mestre Cartola, um dos fundadores da agremiação, sentou no asfalto para protestar e lamentar mais uma operação policial contra o Carnaval Carioca.

Na época, apesar da festa já aquecer a economia da cidade, o Samba era considerado pelas forças policiais como bagunça. Antes da construção do Sambódromo, os ensaios e desfiles ocorriam nas ruas do Rio, e a reunião das escolas eram constantemente interrompidas pela Justiça, Polícia e Ministério Público.

Uma das principais alegações era que os ensaios e desfiles geravam um ambiente promíscuo e fértil para uso de drogas, sexualização e incentivo ao jogo do bicho.

A imagem emblemática foi capturada por por Eurico Dantas e virou símbolo da resistência do samba contra o sistema.

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