DIÁRIO DA INCLUSÃO SOCIAL: COMO EMPODERAR PESSOAS COM DEFICIÊNCIA

Hoje quero compartilhar com vocês um pouco da leitura que fiz nesses últimos dias. Trata-se do livro “Como empoderar Pessoas com Deficiência” do Alex Duarte, inspirado na Expedição 21( Primeira Imersão de Pessoas com Deficiência da América Latina que em breve estará na telinha para todos assistirem!). A ideia do livro é ajudar pais, professores, empresários e todos aqueles que desejam empoderar pessoas com deficiência, a aplicar ferramentas e ações didáticas para uma vida com mais autonomia e protagonismo.

Como-Empoderar-Pessoas-com-Deficiência

O primeiro capítulo fala da importância de primeiro nos empoderarmos para depois podermos empoderá-los. Isso porque só o sujeito que se reconhece capaz e empoderado cria a consciência das decisões que toma para sua vida, conhece suas capacidades e possibilidades, tornando-se mais engajado socialmente e menos vulnerável à manipulação. E as pessoas com deficiência intelectual acabam sendo mais suscetíveis a perder esse controle ou nem chegam a tê-lo, porque muitos continuam dentro das suas casas, em escolas especiais ou à mercê de um cuidador.

Já no capítulo 2, o autor aborda o perigo do núcleo familiar protetor. Garantir a proteção dos filhos é uma obrigação dos pais. Contudo, ao contrário dos filhos sem deficiência, os que nasceram com alguma deficiência recebem uma dose maior, que chamamos de superproteção. A proteção é saudável aos filhos, enquanto a superproteção é algo danoso, que vai além da satisfação das necessidades e de cuidados que precisam. Nesse sentido, muitos pais de filhos com deficiência adotam uma exagerada conduta de superproteção. Vivem pelo filho, falam por ele, decidem por ele, solucionam os seus problemas, impossibilitando o seu desenvolvimento.

Devo confessar que, para mim, ler isso  foi como um tapa na cara. Comecei a pensar sobre a forma como eu e meus pais tratamos meu irmão que tem síndrome de Down e dizia a mim mesma: não deixar ele ir no banheiro do shopping sozinho não é superproteção, apenas precaução! Não estimular ele a ajudar nas compras do supermercado, não deixar ele controlar a sua mesada, não deixar ele ir para a rua sozinho, não deixar ele preparar a própria comida quando está com fome, enfim, evitar que ele faça coisas triviais do cotidiano que qualquer rapaz com 24 anos faria sozinho, não pode ser superproteção. Ou é? Foi aí que percebi o quanto estamos atrapalhando o seu processo de desenvolvimento e autonomia. Embora, claro, sempre tenhamos uma justificativa – mas ele também tem autismo… o comprometimento mental dele é maior que dos demais – não podemos tirar dele o direito de aprender a viver, mesmo que isso envolva riscos. Afinal, todos nos corremos riscos e erramos muito até aprender, não é mesmo?

O capítulo 3, por sua vez,  faz uma importante reflexão ” É realmente a deficiência que me limita?”. Com base na vivência dos jovens e adultos com síndrome de Down que participaram da Expedição 21, o autor pôde concluir que as pessoas com ou sem deficiência desenvolvem com frequência convicções limitadoras sobre quem são e do que são capazes, bloqueando o seu empoderamento. Dessa forma, as atividades da Expedição 21, todas voltadas para promover a autonomia dos participantes, contribuíram para colocar em cheque as convicções limitadoras que os participantes tinham sobre suas capacidades.

Para o autor, o ambiente exerce um papel crucial na autonomia e empoderamento de pessoas com e sem deficiência. Assim, qualquer ambiente segregador não será um ambiente onde o cidadão possa fazer o exercício da autonomia de forma real. E esse pensamento está alinhado ao conceito social de deficiência trazido pela Convenção dos Direitos das Pessoas com Deficiência, no qual deficiência = impedimentos x barreiras. Logo, se eliminarmos as barreiras do ambiente não haverá deficiência!

No capítulo 4, o autor elenca 5 passos para empoderar com pessoa com deficiência. Já no capítulo 5 são apresentadas técnicas de empoderamento, tais como o Rapport ( técnica para criar conexões com outras pessoas) e a Ancoragem ( que traz os momentos positivos já vivenciados pela pessoa que está com dificuldade de aprendizado).

O autor acrescenta, também, a importância de conhecer os direitos das pessoas com deficiência, afinal são eles que abrem caminhos para que o protagonismo seja possível. Esses direitos estão dispostos, em sua maioria, na Convenção sobre os Direitos das Pessoas com Deficiência e na Lei Brasileira de Inclusão; por isso a sua leitura é fundamental!

Outra importante reflexão que o livro faz é sobre a Vida Independente das pessoas adultas com deficiência:

Criar responsabilidade, aprender a se virar sozinho e entender como as coisas funcionam na fase adulta são as maiores conquistas para um jovem com deficiência. Mas, mais importante do que morar sozinho, é crucial alcançar uma vida com autonomia real, sem interferências. ( Duarte, 2019).

 

O livro aborda outro tema bastante polêmico: a questão dos rótulos e diagnósticos. Para a pesquisadora, Carina Streda, ter síndrome de Down ( que é uma alteração genética) não implica necessariamente em ter deficiência intelectual e consequentemente dificuldades de aprendizado. Para Alex Duarte, mais do que uma vida sem rótulos e focado na deficiência é necessário fortalecer pensamentos positivos para criar condições favoráveis ao seu desenvolvimento.

Por fim, o livro termina com a mensagem sobre a importância de todos estarmos juntos empoderando pessoas e ambientes, operando nas capacidades e não na limitação, encontrando o caminho do bem e fugindo da escuridão. Só assim será possível empoderar e promover a mudança que queremos para na nossa vida e na do outro!

É possível adquirir o livro neste link: https://cromossomo21.com.br/loja/livro-como-empoderar-pessoas-com-deficiencia/

Fonte: DUARTE, Alex. Como empoderar pessoas com deficiência – Um guia para transformar limitações em autonomia e independência. Ed. Champion, 2019.


Por Talita Cazassus Dall’Agnol

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