A MUDANÇA DOS BOLSONAROS PÓS-MARIELLE

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Do inicial desprezo e silêncio, família adota agressividade após ser envolvida diretamente no assassinato da vereadora

Foto: Reprodução/Flickr Família Bolsonaro

Jornal GGN – Quase todos os pré-candidatos à Presidência da República e a opinião pública lamentaram os assassinatos da vereadora carioca Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes, em 14 de março de 2018. A exceção foi Jair Bolsonaro, que não comentou o caso seja para lamentar ou cobrar apuração – e, no dia seguinte, um assessor do então deputado disse que ele não pretendia se manifestar uma vez que “sua opinião seria polêmica demais”.

Em artigo publicado no site alemão Deutsche Welle, o analista Jean-Philip Struck avaliou a mudança de comportamento do clã fluminense a partir de então. Enquanto Jair não se manifestou na época do crime, seus três filhos – Carlos, Eduardo e Flávio – usaram as redes sociais tanto para reforçar que a morte de Marielle foi um crime comum como para mostrar desconfiança com o envolvimento de policiais ou ex-policiais ligados à milícia.

Alternando entre o silêncio e o desprezo, o agora presidente só voltou a falar do caso em 12 de março deste ano, após a prisão dos ex-PMs Ronnie Lessa e Élcio Queiroz. O fato acabou por revelar uma série de associações do clã Bolsonaro com o crime, como os empregos da mulher e da mãe de um ex-PM suspeito dos assassinatos no gabinete de Flávio Bolsonaro e a divulgação de uma foto de Queiroz ao lado de Jair Bolsonaro tirada em 2011.

Jair Bolsonaro passou a adotar uma postura mais branda ante o visto na época do crime e passou a citar o atentado que sofreu em setembro de 2018, cujo mandante não foi identificado. O caso não foi mais comentado até esta terça-feira (29), por conta da reportagem veiculada no Jornal Nacional que ligava diretamente o presidente ao caso.

Em live realizada no Facebook, Jair Bolsonaro acabou por atacar a TV Globo, ameaçando a renovação da concessão da emissora, e o governador do Rio Wilson Witzel (PSC) ao insinuar que a investigação está sendo usada com fins políticos para prejudica-lo. Outro exemplo de mudança de postura pode ser visto na intenção do presidente em envolver o ministro da Justiça, Sergio Moro, na investigação.

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