COM MENSAGENS DA VAZA JATO NA PGR, BOLSONARO AGORA TEM ARMA PARA CAVALGAR MORO, PUNIR DALLAGNOL E DIRECIONAR A LAVA JATO
Da Redação Viomundo.
O procurador-geral da República, Gustavo Aras, disse hoje em entrevista à emissora neofascista Jovem Pan que a PGR já dispõe das mensagens trocadas entre procuradores da Operação Lava Jato em Curitiba e o ex-juiz federal Sergio Moro, hoje ministro da Justiça do governo Bolsonaro.
Quando tomou posse, de gravata verde-amarela, Aras afirmou não conceber “um Ministério Público contrário à nossa cultura judaico-cristã”, o que soou como música aos ouvidos de Jair Bolsonaro.
O presidente devolveu: “Eu confesso, Aras, que foi, respeitosamente, um amor à primeira vista. Depois dessa gravata verde e amarela dele, só faltou ressaltar Selva”.
A tarefa principal de Aras parece ser a de assumir o controle da Operação Lava Jato. É uma operação delicada, já que ela dispõe de forte apoio interno entre os procuradores.
Requer golpear alguém simbólico, como o todo-poderoso Deltan Dallagnol.
Do ponto-de-vista de Jair Bolsonaro, o objetivo não é acabar com o combate à corrupção, mas direcioná-lo apenas contra adversários políticos — no momento, especialmente contra o tucano João Doria e o apresentador de TV Luciano Huck.
Com as eleições municipais de 2020 no horizonte e a pretensão da família Bolsonaro de vencer em algumas capitais importantes, especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, a lista de inimigos a serem investigados, se possível com a chancela oficial do Ministério Público e da Polícia Federal, deve crescer.
Nas maquinações políticas da família Bolsonaro, o PT, o Psol e o PCdoB ocupam um papel importante apenas na produção de carne fresca para estimular a base fiel de 20 a 30% do eleitorado.
Impedir o renascimento dos tucanos deve ser prioritário.
Ao mesmo tempo, é preciso poupar novos aliados no Congresso, como o MDB e as bancadas da Bala, do Boi e da Bíblia, repletas de picaretas corruptos, pois delas depende a governabilidade.
É preciso blindar o entorno da família presidencial, especialmente Flávio Bolsonaro e o laranja Fabrício Queiroz, o que depende de um acerto com o Supremo Tribunal Federal (STF).
Este acerto já parece ter sido costurado, através dos ministros Dias Toffoli e Gilmar Mendes.
O enterro da CPI da Lava Toga foi aparentemente moeda de troca.
Aconteceu depois da blindagem de Flávio Bolsonaro por Dias Toffoli, o que foi referendado juridicamente por Gilmar Mendes.
O acerto provavelmente exigirá o sacrifício de um bode expiatório, o procurador Deltan Dallagnol, que pretendia investigar a família dos dois ministros.
O ex-juiz federal Sérgio Moro, acuado, para surpresa dos próprios colegas do Judiciário agora assume a defesa aberta de Jair Bolsonaro nas redes sociais.
“PR Jair Bolsonaro fez a campanha presidencial mais barata da história. Manchete da Folha de São Paulo de hoje não reflete a realidade. Nem o delegado, nem o Ministerio Público, que atuam com independência, viram algo contra o PR neste inquérito de Minas. Estes são os fatos”, escreveu ele sobre a denúncia de que seu colega de Ministério do Turismo, indiciado pela Polícia Federal que comanda, pode ter usado dinheiro de caixa dois para abastecer a campanha do chefe.
A manchete a que Moro se refere é a de domingo, 6: Ex-assessor implica ministro e Bolsonaro em caixa 2 do PSL.
De fato, Jair Bolsonaro não é investigado no caso do ministro Marcelo Álvaro Antônio, do Turismo.
Marcelo Álvaro organizou um laranjal com falsas candidatas a deputadas estaduais e federais do PSL em Minas.
Turbinou as falsas campanhas com dinheiro público do fundo partidário.
Desviou o dinheiro para uso em proveito próprio.
Uma fração foi gasta em material de campanha de Jair Bolsonaro.
Não se trata, portanto, como escreveu Moro, da campanha de Bolsonaro ter sido ou não barata.
Como a denúncia ainda não foi aceita e há outra investigação em andamento, trata-se da tentativa pública de um ministro da Justiça de influenciar o andamento de apuração que envolve seu chefe.
No caso da Polícia Federal, apuração feita por subordinados dele.
Em outras palavras, Moro está delimitando antecipadamente o alcance das investigações. Pelo menos é o que infere um subordinado dele que não seja estúpido: não mexa com o capo!
O ministro Gilmar Mendes já disse, em seu histórico discurso sobre a Vaza Jato no STF, que Moro não tem vaga no STF — o que significa que os tucanos não vão apoiar o nome do ex-juiz no caso dele ser indicado por Bolsonaro para a vaga que será aberta na Corte em 2020.
Moro também não passa pelo Centrão, a não ser que desista de investigar a turma toda.
O mais provável é que restará ao ex-juiz candidatar-se a vice de Bolsonaro em 2022, liderando o combate à corrupção de adversários políticos do clã — foi como, aliás, chegou ao poder, eliminando o ex-presidente Lula da cédula eleitoral em 2018.
Augusto Aras: supostas mensagens da ‘Vaza Jato’ serão avaliadas pela PGR
Aras disse que há aparente ‘projeto de poder’ revelado pelos conteúdos vazados
O novo procurador-geral da República (PGR), Augusto Aras, afirmou nesta segunda-feira (7) à Jovem Pan que as supostas mensagens vazadas de procuradores e autoridades responsáveis pela Operação Lava Jato, conhecidas como “Vaza Jato”, já chegaram ao gabinete do Ministério Público Federal (MPF) para serem avaliadas.
Aras declarou ainda que alguns conteúdos divulgados “foram confirmados por vários colegas”.
“O colega Alcides Martins, que foi PGR interino, pediu ao ministro [do Supremo Tribunal Federal] Gilmar Mendes que enviasse à PGR os textos divulgados para que fossem apreciados. O material já foi entregue, já se encontra no gabinete e será avaliado pelo colega encarregado de cuidar das ações penais originarias no STF. Dessa forma, nós vamos avaliar o conjunto dos elementos fornecidos na ‘Vaza Jato’, sem esquecer que, de alguma forma, vários colegas já validaram seus conteúdos”, declarou, em entrevista ao Jornal da Manhã.
Sem citar outros nomes, ele lembrou que o ex-procurador Marcelo Miller “confirmou publicamente” as supostas conversas.
“Inclusive o ex-procurador da República Marcelo Miller já o fez na imprensa”, comentou. Na época, após ser citado em uma reportagem demonstrando preocupação com uma possível quebra da Odebretch, Miller disse que reconhecia as mensagens e que “agiu no regular exercício das funções que desempenhava”.
Aras lembrou que esse é um assunto sensível, uma vez que terá “grandes repercussões para o direito e, especialmente, para os processos onde já há condenação”, mas reforçou que é preciso apreciar os conteúdos, uma vez que eles revelariam um “projeto de poder” que não pode acontecer dentro do MPF.
O procurador também citou, novamente, o que chamou de “excessos” nas operações.
“O projeto de poder que se apresenta factível diante de aparentes concordâncias de colegas sobre a ‘Vaza Jato’ revela os excessos que aparecem ao longo dessas operações, excessos esses que vão da demora excessiva para as prisões, certas medidas cautelares meramente simbólicas, dentre outras mediadas que não fazem parte do estado democrático de direito.”
Ele ainda criticou o que chamou de “personalismo” da Lava Jato.
“Quando foi personalizada a operação, é evidente que os holofotes e luzes se dirigiram para certos colegas [a quem ele disse que não ia citar nomes, uma vez que estão sob o ‘crivo da Corregedoria Nacional do MPF’], o que pode ter gerado um projeto de poder político que é estranho à figura do MPF. Pelo contrário, o MPF, salvo aqueles que ingressaram antes da Constituição de 1988, como eu e todos os demais que me antecederam na PGR, os admitidos posteriormente a 1988 não podem ter atividade político partidária.”
Para Aras, a investigação desses conteúdos é necessária e algo do qual “não podemos abrir mão, porque, se admito hoje que isso ocorra contra terceiros, eu certamente poderei ser a vítima amanhã ou depois”.
“Precisamos seguir as melhores práticas, as boas práticas, que estão encrustadas no nosso processo civilizatório”, finalizou.