RBA: GREVE GERAL, PREVIDÊNCIA E ‘VAZA JATO’: ‘A CLASSE TRABALHADORA SABE DA GRAVIDADE DA SITUAÇÃO’
Greve geral desta sexta-feira ocorre após sucessivas manifestações contra políticas prejudiciais à população pelo governo Bolsonaro
São Paulo – As relações promíscuas entre o então juiz Sergio Moro e os procuradores da Operação Lava Jato, que vem sendo reveladas pelo The Intercept Brasil, que culminaram com a prisão ilegal do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, servem como mais um motivo para que a população não saia de casa na greve geral desta sexta-feira (14) contra a “reforma” da Previdência. Em entrevista aos jornalistas Marilú Cabanãs e Glauco Faria, para o Jornal Brasil Atual, nesta quinta-feira (13), o secretário-geral da CUT, Sérgio Nobre, diz que o governo Bolsonaro é ilegítimo e que, se Lula não estivesse preso, estaria nas portas das fábricas mobilizando os trabalhadores contra a destruição da Previdência Social.
“Os trabalhadores sabem da gravidade da situação. É importante que as pessoas não saiam de casa. A forma de protestar é a rua vazia. Será também um dia de reflexão sobre o que está acontecendo no nosso país. Se eles pensavam que iam entregar o país de mão beijada, não vai ser assim. Aqui tem classe trabalhadora organizada, que sabe lutar, entende os direitos que tem e não abre mão deles. Vai ser um dia histórico. A classe trabalhadora vai mostrar que está no jogo, e vai defender a Previdência“, disse Nobre.
Classe trabalhadora está organizada e não abre mão de direitos, diz Nobre
O secretário-geral da CUT destacou que a Previdência Social não é responsável apenas pelo pagamento das aposentadorias, mas também ampara o trabalhador em casos de acidente, doença ou viuvez. Lembrou também que os recursos das aposentadorias são vitais para o desenvolvimento econômico para a maioria dos municípios. Nobre destacou a união das centrais sindicais, o que faz apostar que esta será “a maior greve geral que esse país já viu”.
Ele ressaltou que Lula foi preso em processos “montados” para que pudessem fazer “maldades” contra os trabalhadores, e destacou que as conversas entre Moro e Dallagnol revelam inclusive que eles agiam também de acordo com interesses norte-americanos. “Se Lula estivesse solto, andando pelo país, duvido que eles iam fazer essa reforma da Previdência do jeito que estão querendo, porque ele estaria nas portas de fábrica denunciando o que está acontecendo. Não tem outra razão para ele estar preso, a não ser a maldade que estão fazendo: desmontar a legislação trabalhista, desmontar a Previdência e fazer o país andar para trás de novo, subordinado aos interesses internacionais.”
Ouça a íntegra da entrevista
Greve geral: Mercedes-Benz de São Bernardo e petroleiros de São Paulo anunciam adesão
Na fábrica da Mercedes-Benz, a assembleia com trabalhadores discutiu as propostas do governo de para a nova Previdência
São Paulo – Metalúrgicos da Mercedes-Benz, de São Bernardo do Campo e petroleiros de São Paulo tambémparticiparão da greve geral desta sexta-feira (14), contra a “reforma” da Previdência proposta pelo governo Bolsonaro e vão parar atividades por 24 horas, conforme decisão deliberada em assembleias realizadas na quarta-feira (12).
Os trabalhadores da Mercedes se juntam a metalúrgicos de diversas regiões que já confirmaram a paralisação. “A gente precisa derrotar essa reforma, porque qualquer discussão sobre Previdência tem que ser feita com os trabalhadores. Todos devem estar juntos no Brasil, com seu sindicato e os movimentos organizados, para derrotar a reforma“, disse o secretário-geral do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC (SMABC), Aroaldo Oliveira da Silva.
Max Pinho, coordenador do comitê sindical na empresa, afirmou à repórter Daiane Ponte, da TVT , que os trabalhadores já estão preparados para a greve. “Nós temos debatido muito com os trabalhadores. Para derrubar essa reforma é só com a reação deles, na rua e fazendo a greve. O pessoal aqui está bastante inserido nesse processo e, na sexta-feira, a fábrica não trabalha em nenhum turno.”
Refinarias
O Sindicato Unificado dos Petroleiros de São Paulo (Sindipetro) entregou à gerência da Petrobras os ofícios comunicando a paralisação da categoria a partir da 00h, desta sexta. “A Petrobras tem sido, nos últimos anos, foco de vendas indiscriminadas de subsidiárias e ativos estratégicos, como refinarias, dutos e campos de petróleo. Isso assusta os trabalhadores com a possibilidade de mais demissões”, relata Azélio Alves, diretor do Sindipetro.
Além de barrar a “reforma” da Previdência, a greve geral também vai defender a soberania nacional, exigir políticas que levem à retomada da atividade econômica e reduzam o desemprego, com trabalho decente e renda digna.
“Nós estamos no nosso período de negociação do acordo coletivo e o ataque que a gestão da Petrobras está fazendo à nossa categoria é avassalador. Direitos que nós conquistamos durante mais de uma década, o governo Bolsonaro vem de uma forma avassaladora”, disse Azélio.
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