BRASIL DE FATO: PARCIALIDADE DE MORO NO CASO LULA SERÁ JULGADA NO STF NO DIA 25
Justice Minister Sergio Moro speaks during a press conference after the opening of the National Council of State Secretaries of Justice, Citizenship, Human Rights, and Penitentiary Administration, in Manaus, Brazil, on June 10, 2019. - Moro and prosecutors who took part in a yearslong anti-corruption probe known as "Car Wash" collaborated to convict left-wing icon Luiz Inacio Lula da Silva on corruption charges to prevent him from contesting the 2018 election, an investigative news outlet reported on June 9. Citing leaked documents, The Intercept website co-founded by Glenn Greenwald said an anonymous source had provided material, including private chats, audio recordings, videos and photos, that show "serious wrongdoing, unethical behavior, and systematic deceit." (Photo by Michael DANTAS / AFP) / The erroneous mention appearing in the byline of this photo has been modified in AFP systems in the following manner: [Michael DANTAS] instead of [Carl DE SOUZA]. Please immediately remove the erroneous mention from all your online services and delete it from your servers. If you have been authorized by AFP to distribute it to third parties, please ensure that the same actions are carried out by them. Failure to promptly comply with these instructions will entail liability on your part for any continued or post notification usage. Therefore we thank you very much for all your attention and prompt action. We are sorry for the inconvenience this notification may cause and remain at your disposal for any further information you may require.
JULGAMENTO.
Decisão ocorrerá após revelações do site The Intercept Brasil
O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Gilmar Mendes afirmou que o habeas corpus da defesa de Luiz Inácio Lula da Silva que trata da suspeição de Sérgio Moro, ex-magistrado responsável pela primeira condenação do petista na Lava Jato, deve ser julgado pela Segunda Turma da Corte no próximo dia 25 de junho, numa terça-feira.
No início desta terça-feira (11), a informação de que Mendes tinha finalizado seu voto foi divulgada, o que levou à especulações de que o caso seria abordado na mesma data. A decisão acontece logo após a revelação de troca de mensagens entre Moro e integrantes da Lava Jato pelo site The Intercept Brasil, mas o pedido da defesa de Lula é anterior à divulgação das conversas entre o ex-juiz e o procurador Deltan Dallagnol.
Casos
Nesta terça-feira (11), a Segunda Turma deve apreciar um pedido da defesa de Lula relacionada a uma decisão individual do ministro Félix Fischer, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). Fischer, que relata casos da Lava Jato que chegam ao STJ, havia negado em um primeiro posicionamento o direito de Lula ter seu caso reavaliado pelo STJ. A defesa do petista protocolou então um habeas corpus no STF.
O próprio STJ, entretanto, reviu a decisão de Fischer, no julgamento que levou à redução de pena do ex-presidente no chamado caso do triplex do Guarujá.
O pedido, que deve ser julgado no dia 25, pede a anulação do caso, por parcialidade de Sergio Moro. Como argumento, os advogados de Lula apontaram que o ex-magistrado passou a ocupar posição política em ministério após a prisão do principal concorrente do governo eleito, apenas possível pela própria atuação judicial anterior do paranaense.
Edson Fachin e Cármen Lúcia rejeitaram o pedido em dezembro do ano passado. Mendes pediu vistas, ou seja, maior tempo para analisar a ação. Além dos três, compõem a Segunda Turma do STF os ministros Ricardo Lewandowski e Celso de Mello.
O último é visto como voto crucial para o caso, já que, no interior da segunda turma, os outros quatro têm se dividido em dois grupos: de um lado, Lewandoswki e Mendes a favor de interpretações mais próximas da literalidade da lei e contra as posições da Lava Jato e, de outro, Lúcia e Fachin inclinados às posições mais punitivistas e de flexibilidade diante da lei defendidas pela operação.
Prova ilegal?
É esperado que a avaliação do habeas corpus que será julgado no dia 25 seja marcado pelas revelações jornalísticas do Intercept Brasil. O ministro Gilmar Mendes, por exemplo, já sinalizou que provas formalmente obtidas por meios ilícitos – como invasão de celulares – podem ser utilizadas quando favoráveis à defesa. A explicação de Mendes tem respaldo na maior parte das decisões judiciais brasileiras à respeito do tema, que entendem ser vedado o uso de provas formalmente ilícitas apenas para a acusação.
Além de Mendes, Marco Aurélio Mello também já se manifestou sobre as reportagens, afirmando que a imagem de imparcialidade necessária ao Judiciário foi afetada pelo conteúdo das mensagens.
Segunda instância
Um caso que pode ter repercussão para a situação de Lula é o habeas corpus coletivo sobre prisão após condenação em segunda instância. A ação pede que cada prisão nessa modalidade tenha justificativa e fundamentações individuais. Lewandoski deve apresentar seu voto nesta terça-feira (11). O julgamento da questão pela Segunda Turma pode não ocorrer na mesma data.
Edição: Pedro Ribeiro Nogueira