CONCEIÇÃO LEMES: PRIMAVERA SECUNDARISTA DE 2016 DEU FLORES E FRUTOS, QUE AGORA ESTÃO NAS RUAS POR EDUCAÇÃO DE QUALIDADE PARA AS PRÓXIMAS GERAÇÕES


31/05/2019.


por Conceição Lemes e fotos exclusivas de Eduardo Matysiak

“A Primavera floresceu e deu frutos”, comemora as manifestações do 30M, particularmente a de Curitiba, a advogada Tânia Mandarino, do Coletivo Advogadas e Advogados pela Democracia (CAAD).

Tânia refere-se aos filhas e filhos da Primavera Secundarista de 2016, que neste 30M brilharam, de novo.

Em 2016, pelo Brasil afora, estudantes secundaristas ocuparam as escolas públicas contra duas medidas do governo usurpador Michel Temer.

Uma era a reforma do ensino médio.

A outra, a Proposta de Emenda Constitucional (PEC) 241, que estabeleceu um teto para os investimentos sociais com saúde e educação.

O Paraná foi o Estado onde a Primavera Secundarista de 2016 teve maior expressão. Chegou a ter mais 800 escolas ocupadas.

Na época, Tânia integrou o grupo de advogados que atuou na defesa desses estudantes.

“Eles eram subestimados quando secundaristas, pois se dizia deles que nem sabiam por quais pautas estavam ocupando suas escolas”, relembra.

“Pois, eles estão aí, de novo, e à frente do maior movimento de resistência antigolpista. E desta vez levando as massas às ruas pela Educação”, avalia.

“Cresceram, atingiram a maioridade e, agora como estudantes universitários, exercem com plenitude e destemor o protagonismo que sempre tiveram como filhas e filhos das classes trabalhadoras. Que vivan los Estudiantes!”, completa.

O fotojornalista Eduardo Matsyak registrou-os, num ensaio exclusivo para o Viomundo.

“Ontem vê-los no caminhão de som, durante a marcha, foi adrenalina pura”, conta-nos Matysiak, que é mais “velho” que os seus retratados. Tem 26 anos.

Desde 7 de abril de 2018, quando o ex-presidente Luís Inácio Lula da Silva foi preso e transferido para Polícia Federal em Curitiba, Matysiak faz plantão na Vigília Lula Livre, clicando todos que lá aparecem.

A imagem que fez do teólogo Leonardo Boff à frente da PF, tentando conseguir visitar Lula no cárcere, é antológica. Ilustrou manchetes de veículos em todo o País.

“Esses estudantes são muito especiais, eu os admiro demais, tenho muita gratidão por eles”, diz Matysiak, que se considera amigo de luta deles, inclusive de Gerolane e Ana Júlia.

“Fiquei muito feliz de ver o Gerolane militando ao lado da Ana Júlia” , diz Matysiak.

Em 2016, Ana Júlia tinha 16 anos, quando ficou conhecida nacionalmente.

Na frente do plenário da Assembleia Legislativa do Paraná, ela fez um discurso contundente em defesa da Educação, que calou todos os presentes, inclusive os deputados contra o movimento secundarista — a maioria, diga-se de passagem.

Atualmente, Ana Júlia é estudante de Direito, assim como o seu namorado, Welitton Gerolane.

Ambos permanecem nas ruas em defesa do ensino público de qualidade para todos.

Veja o depoimento deles sobre o 30 M para o Viomundo:

Ana Júlia

O que verdadeiramente estamos vivendo é uma disputa da essência da educação brasileira.

O corte de gastos não é uma questão puramente orçamentária, ele diz respeito também, admitam ou não, com quem no último período passou a estar no ambiente universitário.

Não é à toa que o ministro da Educação tenta nos intimidar, proibindo que estudantes e professores falem dos atos dentro das instituições de ensino, não é à toa que defendem o “Escola Sem Partido”.

A disputa é por uma educação emancipadora e popular para todos.

Os atos dos estudantes tanto o do dia 15 quanto de ontem são a mais pura e sincera expressão de defesa da educação.

Ontem, quando recolocamos a faixa na fachada da UFPR, também depositamos ali toda a nossa perseverança em defender a educação pública e enfrentar esse governo que ousa querer nos afastar da universidade.

Welitton Gerolane

A democracia e a soberania do Brasil foram construídas sob muita luta estudantil.

Do petróleo é nosso aos caras pintadas, das diretas já à ampliação do acesso nas Universidades Públicas.

A nossa geração se beneficiou de todas essas lutas e hoje vivencia Universidades Públicas de ponta e populares.

Agora estamos lutando por esperança, para que as próximas gerações também possam sonhar.

Edilonson Oliveira

O ato de ontem reafirmou o tamanho da insatisfação da população com as medidas contra a educação de Bolsonaro.

Mesmo com muita chuva, milhares de pessoas encherem as ruas de Curitiba para demonstrar sua insatisfação.

Com a unidade entre estudantes e trabalhadores conseguimos demonstrar como Curitiba segue sendo a capital da resistência.

Pablo A. de Souza

Fiquei exatamente feliz com a força que os estudantes e as estudantes mostraram. Nem a chuva impediu que a marechal fosse tomada pelo tsunami. Dias como o de ontem são como a luz que a gente espera no fim do túnel.

Ana Laura

O ato de ontem foi um sucesso, mesmo com a chuva que não desmobilizou a luta estudantil.

Isso só foi possível devido à construção coletiva, contando com diversas entidades e coletivos reunidos em defesa da educação.

O #30M pra mim foi emocionante e mostrou que nada vai nos parar!

Everton Granowski Viana

A mobilização dos estudantes é super importante porque, mostra que os estudantes não são obrigados a ter uma péssima educação pública para priorizar outras coisas…

Gabriel Murari de Andrade

O ato foi grande e mostrou que os estudantes não estão dispostos a aceitar os cortes. A chuva colocando à prova a mobilização não impediu que sentisse a alegria de ver um ato enorme.

Ao final, apesar de encharcado senti uma satisfação imensa!

Nos dias anteriores ao ato, distribuímos informativos chamando pra manifestação e explicando quais são as mentiras que o governo espalha sobre o orçamento.

Mobilizamos nas redes também e houve diversas entidades chamando.

O resultado foi ver dezenas de milhares de estudantes gritando pra que “tirem a mão da federal”.

Poder gritar a favor da educação junto com outros que sentem a mesma angústia em pensar na universidade fechando, não conseguindo se manter, foi extasiante.

O melhor de tudo é saber que não estamos sozinhos nessa luta.

“Fotografar não é apenas o ato de apontar a câmera e apertar o disparador, ou mesmo usar celulares de forma indiscriminada, como ocorre hoje em dia”, observa Eduardo Matysiak.

“Fotografar é ter a sensibilidade de fechar um quadro e saber o momento exato de apertar o botão”, acrescenta.

Que Matysiak tem sabido fazer muito bem.

   Boca Maldita. Foto: Eduardo Matysiak 

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Fica a saber como são processados os dados dos comentários.