Não se iluda.

Por acaso foi poupado,

mas se sua sorte mudar está perdido.”

Bertolt Brecht

Para o filósofo holandês Spinoza, a ética é diferente da moral. A ética não é um sistema de julgamento bem/mal. A ética é a arte do encontro. Um encontro que aumenta a potência de agir de um corpo (bom encontro: alegria) ou um encontro que diminui a potência de agir de um corpo (mau encontro: tristeza). Por isso que Nietzsche diz, na Genealogia da Moral, que “estar acima do bem e do mal não é estar acima do bom e do mau”.

Mas o corrupto, seja analfabeto ou PhDeus, que não possui entendimento para compreender Nietzsche, chega a uma cidade e, tenro ainda, passa a enrijecer-se pelo que Spinoza chama o mais baixo grau de conhecimento: o já visto e o já ouvido, e aprende que é preciso se dar bem. A partir daí ele abstrairá psicoticamente o mais distante possível do real — a partir de suas fantasias os homens e a cidade (embora acreditar que está com “os seus”) e com os quais poderá fazer o que bem entender. Grana, bebidas, mulheres, boyzinhos, assistencialismo, bajulação, carros, jóias, remédios…

O encontro de um corrupto com a cidade é um mau encontro, que dissemina a dor, a tirania, o medo, a opressão… todas as afecções de tristeza. E tudo isso não é uma abstração, apresenta-se na prática, na inexistência de um planejamento para a cidade, na depauperação dos serviços públicos indispensáveis, na tentativa de bloquear os afetos construtores de concepções educacionais, artísticas, políticas verdadeiramente democráticas. Censura à inteligência.

O que o corrupto também não sabe é que suas fantasias — riquezas e poder — são provenientes de idéias confusas, inadequadas, pois que produzidas por causas exteriores que fazem dele um reles efeito, triste consequência. Psicopata, o corrupto não poderá mais parar. Tem tudo e todos, mas sempre quer mais. A corrupção é patológica. O resultado disso é uma interferência na relação natural alma/corpo, já que “tudo que acontece no corpo humano, a alma deve percebê-lo” e “a alma e o corpo são um só e mesmo indivíduo”.

É por isso que os corruptos vivem sob controle, sua alma e seu corpo encontram-se distanciados. São zumbis vivos-mortos. Quem acompanhou os últimos dias de ACM percebeu que seu corpo foi tão acometido de afetos tão nocivos à existência humana, que seu diafragma se rompeu principalmente quem tem alguma noção de teatro, sabe a importância deste órgão para a respiração. Então, é sintomático também o acometimento de mal estar a enfarto de membros da direita manauense justamente no momento que o Conselho Nacional de Justiça – CNJ veio para Manaus. E, sabendo-se que o CNJ vai ficar eternamente no Amazonas, o corpo da direitaça corrompida permanecerá internado.

Do ponto de vista dos corpos corrompidos, essas doenças são um mal encontro. No entanto, do ponto de vista do povo, enquanto potência maior, produzida pelas noções comuns das singularidades que se movimentam para compor a preservação do corpo democrático, é um bom encontro. É uma saúde para a democracia. E, para além do bel e do mal, poderá promover a mudança antes das definitivas cassações.

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