Em tempo de abundância ou em tempo de miséria, é comum certos homens recorrerem a palavra Deus tanto para explicarem estas ocorrências, como para se mostrarem superiores, capazes de saberem Seu pensamento. Por esses motivos usam as exclamações “Foi Deus quem fez que assim fosse!”, “Deus sabe o quê faz!”, “Sem Deus não teríamos conseguido!”, entre outras.

Dissipados da realidade, por se encontrarem envolvidos na áurea mística/onipotente, proferem de seus territórios com estados de coisas definidos, enunciações que os pretendem como privilegiados de Deus, anulando nos outros, pelo menos lingüisticamente, o direito de também serem da preocupação do Senhor.

É nessa ordem mística/onipotente que o governador do Amazonas sempre se anuncia em seus discursos teo/administrativos. Um caso sacro-hilário. O governador afirma que o Amazonas é um estado rico, com grande potência natural, um privilégio oferecido por Deus aos amazonenses, o que os torna diferente dos outros estados brasileiros. E ele é o grande líder, escolhido por Deus, para conduzir o povo amazonense aos píncaros do progresso. Nisso, ele se apresenta, diante da sociedade, com duplo poder/místico. Um, onipresente: viu quando Deus criou o Amazonas, dispondo todas suas riquezas naturais. Dois, onisciente: fala como alguém que ao vê a criação também participou. Logo, também é Deus. É sua maneira de tentar se destacar dos simples mortais, já que ser governador não basta.

Mas se Deus, desvestido desse teo/antropomorfismo aludido pelo governador, for socialista? Como fica seu teo/ufanismo/telúrico? Isto porque Deus, sendo socialista, não pretere nenhum estado em benefício de outro. Não privilegia nenhum, como certos pais privilegiam certos filhos. Com ele, a potência/política é distributiva e não captativa, como apregoa o governador em Seu nome. Deus permite que o homem trabalhe, como diz o filósofo John Locke, em simpatia/estima com seus vizinhos e parceiros da jornada histórica. Práxis implicadora da fundamentação do planeta errante, a Terra.

Socialista, Deus anula todos os textos do governador, que estão mais para o homem que teme do que para o homem que crê. E, de quebra, ainda revela que ao querer se passar por onipotente, deixar passar sua insegurança. O fator-base daqueles que abusam da palavra Deus. No caso da “política”, blasfêmia teo-evocativa-demagógica.

Deixe um comentário

O seu endereço de email não será publicado. Campos obrigatórios marcados com *

This site uses Akismet to reduce spam. Learn how your comment data is processed.