A MISÉRIA DO MARKETING ELEITORAL
No sistema capitalístico, o marketing surge como um dos elementos propulsores da mercadoria como um valor necessário. Um recurso persuasivo de fazer nascer no comprador o desejo de adquirir um objeto-valor que se encontra fora de sua percepção. Nisso, sendo o marketing um truque forjado por objetos reificados, formas de idéias-simuladas, o sujeito enredado nesse truque acaba personificando um mundo espectral, um carrossel fantasmagórico povoado por imagens bruxuleantes, e, assim, instalado neste carrossel, sua força produtiva é interditada, e suas aquisições passam a nutrir suas imagens fantasmáticas: sua miséria.
O MARKETING ELEITORAL
Como o marketing comercial se corporifica com elementos do senso comum, a obviedade inútil, o marketing eleitoral, que tem o candidato como mercadoria, também não torna diferente seus códigos de persuasão. Exibe seu candidato/mercadoria com as mesmas cores e legendas de qualquer objeto. Só com uma pequena diferença: acompanhado de outros objetos. Objetos tematizados, que já se mostraram como realidade, mesmo com recursos simulantes, ou objetos virtuais, possíveis de serem ou não atualizados como reais.
Posto como mercadoria no invólucro dos objetos tematizados, os candidatos, tanto aqueles que já ocuparam um cargo e neste momento procuram um retorno, ou o que tenta continuidade, ou o que pretende pela primeira vez titulação, são lançados na super-exposição do já “ocorrido”. O candidato mostra o que fez e evoca, através deste dito “feito”, o que ainda poderá fazer. Uma espécie de desaparecimento de si mesmo, em função do privilégio dos objetos persuasivos. É nesse truque da super-exposição que estes candidatos entram na ordem do mimus (reprodução, em grego) um do outro. É como as toadas dos bois de Parintins: se tirar o nome do boi, fica tudo igual. Não se sabe qual é o boi. São os mesmos quadros, os mesmos textos, as mesmas focagens, as mesmas técnicas de virtualização. Os mesmos fragmentos de imagens apresentados na propaganda do candidato Amazonino se encontra na dos candidatos Serafim e Omar. Nesse mimus, parece até que quanto mais dinheiro mais miséria. A insistência em se mostrar verdadeiro é tão exacerbada que revela despudoradamente a miséria. Não era para menos: toda objetificação anula o sujeito ativo. E sendo o candidato um reflexo dos objetos espectrais usados para convencer os eleitores, a democracia fica comprometida, já que o eleitor não votará em um candidato real, e sim em uma imagem miserabilizada pelos objetos valorados pelo marketing como reais quando são apenas simulantes.
E eis aí o perigo que estes candidatos objetificados estão correndo. Se os eleitores descobrirem a ditadura dos objetos a que são submetidos pelos marqueteiros, é possível que vejam neles irrealidades tão facilmente encontradas nas grades dos programas de televisão, e nisso passem a imaginar destes marketings o mesmo que imaginam dos programas de televisão: puras virtualidades. Aí a miséria confirmara sua pobreza.