Desde que Manuel Marulanda e um pequeno grupo de homens e mulheres se embrenharam nas selvas colombianas há mais de 40 anos, fugindo ao extermínio que a brutal ditadura militar impôs à Colômbia em todos os aspectos, que o acontecimento FARC ou Ejército del Pueblo tenta uma possibilidade de diálogo para uma democratização do país. Com a libertação dos quatro ex-congressistas Gloria Polanco de Lozada, Orlando Beltrán Cuéllar, Luis Eladio Pérez e Jorge Eduardo Gechen Turbay ontem, 27 de fevereiro, as FARC seguem nessa linha democrática.

Um encontro se deu com a entrada da potência socialista/democrática Hugo Chávez, o qual vem tentando, oficialmente desde 20 de agosto do ano passado, compor para fazer fissuras nos blocos constituídos que perduram no governo da Colômbia. Com a impossibilidade de qualquer proximidade com esse governo, Chávez segue conspirando com Marulanda, que mais uma vez liberta reféns em reconhecimento a “la sincera preocupación por la paz de Colombia del Presidente Hugo Chávez y de la senadora Piedad Córdoba”.

Enquanto isso, por parte dos grupos que comandam o esvaziado Estado colombiano — grupos militares e paramilitares de extermínio, a intervencionice americana, multinacionais, etc —, desde Andrés Pastrana (1998-2002), e continuando com Uribe, o presidente laranja, vai prosseguindo, como perceberam Oliver Stone e a ex-refém Consuelo González, no empenho de emperrar qualquer avanço no sentido de uma possibilidade dialógica. Prova disso é o tom imperativo que Uribe teve diante da proposta das FARC de desmilitarização de dois municípios para um início de tentativa de conversa com governo colombiano.

Em todos os jornais da destra mídia seqüelada, a notícia que repercutiu foi o precário estado de saúde de Ingrid Betancourt. Com certeza, às FARC e a Chávez sua saúde interessa, sua liberdade interessa, assim como a saúde e liberdade democrática de toda a população colombiana. A Uribe, ou às vozes que o comandam, é que nada disso interessa. Só a manutenção do terror e da tirania o interessam. Por isso, Marulanda sorri e acena, e as FARC seguem…

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