E SEGUE A LINHA REVOLUÇÃO-PERMANENTE FIDEL

Há alguns meses acompanhamos através da escritura o discurso daquele que é considerado um dos maiores estadistas oradores que já existiram, tanto pelo tempo quanto pela capacidade de se relacionar com seus interlocutores, tanto nas conversas particulares quanto nas imensas assembléias. Ao ler suas reflexões lúcidas e sua suavidade, percebe-se que seus discursos são na verdade uma práxis de quem governou não por personalismo ao poder, mas enquanto enunciação coletiva de um povo em uma linha flexível democrática: Fidel Castro é toda a resistência cubana durante décadas de terrorismo midiático e econômico para manter sua singularidade.

Após 18 anos como primeiro-ministro e mais 31 como Presidente do Conselho de Estado e Comandante em Chefe de Cuba, Fidel Castro renunciou ao cargo. Um cargo é apenas uma instância burocrática, o que importa é como foi preenchido e a que serve. Com toda a propaganda terrorífica veiculada pelo governo dos Estados Unidos desde a queda de Batista em 1959 e reproduzida em toda a América Latina, não se diz que o lugar ocupado por Fidel sempre contou de cinco em cinco anos com o apoio e referendo popular desde 1976, em eleições transparentes e de lisura insuspeita.

Sabe-se que os caminhos desse caminhante foi desviante de várias tentativas de assassinato da CIA e de um embargo econômico que é um dos maiores obstáculos à ilha, mas que, apesar disso, manteve ao povo cubano uma estabilidade de sobrevivência em todas essas décadas, destacando-se mundialmente em áreas como a saúde pública e a educação. E enquanto a mídia seqüelada fazia e faz sua campanha difamatória, quase todos os estadistas que apontaram numa direção democrática em relação à população, procuraram entrar em diálogo com Fidel, como Hugo Chávez, Lula e os Kirchner mais recentemente. Também filósofos, escritores, intelectuais e outras pessoas engajadas de toda parte do mundo foram até Cuba para conversar com o estadista que nunca deixou de usar o uniforme de guerrilheiro: Sartre, Ernest Hemingway, Gabriel Garcia Marquez e Maradona são alguns exemplos. Por outro lado, também sofreu discordâncias de pessoas que sempre lhe haviam apoiado, como num manifesto assinado pelo escritor Saramago e o cineasta Almodóvar contra supostos fuzilamentos de dissidentes na ilha. Fidel se manifestou dizendo que haviam se deixado manipular pelas fabricações midiáticas.

De qualquer forma, qualquer avaliação que se faça do papel de Fidel até hoje não pode cair na fantasia de um comunismo pueril, como um bando de garotos belos e armados tomando o poder. Por acaso Batista era o poder? Fidel já sabia da lição de Michel Foucault, que o poder é difuso e está em todos os cantos. E também não se pode demonizá-lo como faz a mídia seqüelada neoliberal. Uma verdadeira revolução não é feita aos moldes ideológicos de um bang-bang norte-americano, com bandidos e mocinhos. Ao lermos as palavras de Fidel nas suas reflexões no Granma, percebe-se, como pedia Che, como ele aproxima a ternura e a razão, mesmo quando analisa questões como as referentes ao inescrupuloso candidato republicano Mc Cain, da linha dura Bush.Se é verdade que houve excessos nas medidas de segurança, em relação à imprensa, tem-se de observar também as somas que a CIA injetou, chegando a ser maior até do que o PIB do país em certos momentos, em propaganda para desestabilizar o governo. Com certeza muitas mudanças ocorrerão em Cuba, e isso é apenas mais uma prova de que o que existiu aí, a despeito do que tenta generalizar a fábrica de verdades estadunidense, não passa pelos códigos das ditaduras. É um processual contínuo e ininterrupto, uma resistência e uma tentativa de fuga de toda uma nação dos ditames capitalísticos.

Enfim, em sua singularidade, quando vemos quando, com a subida de Fidel, Cuba deixou de ter uma guerrilha para se tornar coletivamente uma nação guerrilheira em relação ao Grande Capital, que tem se frustrado em todas essas décadas no anseio de consumi-lo e consumi-la. Cuba respira através de seus artistas, cientistas, esportistas, sua população, e Fidel, que, como ele próprio diz, “desejo apenas continuar combatendo como um soldado das idéias”. Suas idéias sempre foram práticas, ações pelas quais sempre se pôde encontrar o homem, desejante de liberdade democrática.

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