Se existe uma das faculdades do homem mais vilipendiadas conceitualmente é a faculdade inteligência. Em territórios variados e estados de coisas contrastantes, surge sempre alguém com seu complexo onisciente para aplicar seu bordão epistemológico: “É uma pessoa inteligente!”. E para consignar maior ênfase, aplica-lhe um “muito”. Ou “impar”. E nesse desfile epistemologicamente graduador, saltam: “Romário é inteligente. Ali Kamel é inteligente. Datena é inteligente. Arthur Neto é inteligente. Roberto Carlos é inteligente. Eliane Catanhede é inteligente. Mainardi é inteligente. César Maia é inteligente. Hebe Camargo é inteligente. Serra é inteligente. Agripino Maia é inteligente. Mitre é inteligente. José Padilha é inteligente. Paulo Maluf é inteligente… e assim desfilam estes, e outros, os representantes da fina estirpe da inteligência brasileira. O interessante observar nesta classificação, é que aquele que atribui inteligência a outro, em verdade procura se auto-eleger como inteligente. Já que ele acredita que um terceiro ao vê-lo atribuir graus de inteligência a outro, é porque possui notas epistemológicas maiores que o graduado. Ao mesmo tempo que o graduado também confere ao seu graduador um status acima do seu. Um tipo tatibitate de relação professor-aluno. Ou, no estilo clássico, uma tirada a la Erasmo de Roterdã com sua Moria: “Se ninguém te elogia, elogia a ti mesmo”. Nisso implica fundamentalmente o território definido e o estado de coisas determinado de onde sai o conceito de inteligência. O capacho fica rico rastejando: é um cara inteligente. O trapaceiro enriquece enganando: é um cara inteligente. O canalha se dar bem tramando: é um cara inteligente. O covarde tem respeitabilidade blefando: é um cara inteligente. E por aí vão eles malogrando a existência, crentes que inteligentemente são amados.

CPÍSMO

Deixando de lado os enunciados filosóficos-científicos das ciências neuro-cognitivas, da biotecnologia, da bio-epistemê, ou qualquer outro estudo sobre a inteligência, concentremos-nos na alcunhada inteligência parlamentar. Sabe-se que uma grande parte dos parlamentares foi elevada a esta categoria sem possuir um mínimo de conhecimento das notas políticas de uma sociedade fundamentais à construção da democracia. Sem qualquer exame do corpo social, que faz com que um homem se sinta necessário e, conseqüentemente, comprometido com seu mundo. Não. Simplesmente amparada pelo conceito jurídico-institucional de democracia representativa, o direito de candidatura, viu o vibrante filão para o seu individualismo, se lançou à “luta” e conseguiu seu intento pessoal recorrendo aos métodos viciados de campanha eleitoral: compra de votos, trapaça, chantagem, ameaça, apelo religioso, etc. Assim, carregada pelo mais baixo grau de inteligência chega ao parlamento sem saber o que fazer para contribuir politicamente na construção do Brasil produtivo e alegre. Então, miserabilizado epistemologicamente, condensa seus componentes imaginativos/supersticiosos, manifestados em intriga, inveja, rancor, trapaça, chantagem, etc, propriedades da tirania e não atributos da democracia, e se arroga defensora da moral institucional. Na verdade a essencialidade de sua inteligência de direita parlamentar comungada com a direita empresarial e a direita midiática. Este o motivo do patológico desejo de CPI’s: paralisar os trabalhos do parlamento para não ficar evidente a miséria intelectual. Um truque perigoso à democracia. E por incrível que pareça, o único que compreendeu este truque, que ao denunciar o que viu, revelou o que não viu, foi o incurável ressentido Cristovam Buarque, ao afirmar que a paralisação do Congresso é a demonstração que não “se tem causas para oferecer ao Brasil”. Cabe ao governo trabalhar neste “inteligente” truque. Aí a trapaça epistemológica será revelada.

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