DUAS NOTAS NO MESMO TOM

PRIMEIRA NOTA: DÓ – Mostrando-se preocupados com o trabalho junto ao povo, os inteligentes e sensíveis deputados estaduais do Amazonas receberam 17 novos carros para uso nas comissões da casa. Trocaram os carros modelo popular por ‘picapes’ de última geração. Embora fique a dúvida de se alguns deputados terão envergadura para dirigi-los, o fato é que a ALE toma a decisão no calor da discussão sobre o inchamento do trânsito na cidade. Mais de 3000 veículos por mês entraram em circulação nas ruas da cidade. Com sua decisão, a ALE deu um importante reforço para que esta média aumente em 2008. Prova da participação efetiva da casa nas discussões e da visão panorâmica que nossos deputados têm com relação aos problemas de Manaus. Sobretudo o transporte. Não o coletivo. E agora, passageiro-transeunte?
SEGUNDA NOTA: RÉ – Mostra inequívoca da submissão da ALE aos desígnios do executivo estadual, a indicação do nome do radialista Josué Filho para conselheiro do TCE (Tribunal de Contas do Estado) por parte dos deputados vai além: atesta a ausência da capacidade epistemológica de compreensão dos conceitos de política e de social, que permeiam uma cidade. Josué Filho é radialista, ouvidor-geral do Estado (curiosamente, conhecido por ser um comunicador que atropela seus entrevistados e interlocutores, não permitindo aos entrevistados sequer concluírem uma frase), filho do ex-radialista Josué Cláudio de Souza, que ensinou ao filho a arte de usar a rádio a serviço de quem está no governo, independente da estirpe. Ao ser agraciado pelo novo cargo, não resistiu: “Mais do que lágrimas nos olhos estou com um sorriso nos lábios de satisfação. Era um sonho meu, me perdoem a franqueza, nesse canto de cisne, nesse chegar de outono manter o status, minha vaidade de amor ao serviço público”. Nem desconfia que a vaidade é uma idéia equivocada que o sujeito tem de si, a partir da falsa idéia que ele passa a outrem, e que, por conta disso, passa ele próprio a acreditar. Um duplo engano, segundo Nietzsche. Uma ilusão que alimenta uma existência desprezadora de si, e que por ser ilusão, jamais poderia ser tomada como necessária à res pública de qualquer cidade. Da vaidade, que é um engano, uma idéia inadequada, não pode surgir o Amor, que é potência criadora. Se Josué acredita, capturado pelo engano decadentista da 3ª = melhor idade, estar no seu “canto do cisne”, no seu “outono”, então não pode amar. E sem amor, não há produção. Portanto, a vaga para o TCE foi preenchida, mas continuará inoperante. E agora, ALE?
A pergunta é que conselhos o nosso “mais novo coselheiro” pode dar para o tribunal, afinal de Contas se conselho fosse bom se vendia( ainda mais com um salário de mais de 20000 reias)