ENTENDA O QUE ESTÁ EM JOGO NA INVASÃO DA UCRÂNIA PELA RÚSSIA
Ukrainian Military Forces servicemen block a road in the so-called government quarter in Kyiv on February 24, 2022 as Russia's ground forces invaded Ukraine from several directions today, encircling the country within hours of Russian President announcing his decision to launch an assault. - Heavy Russian tanks and other equipment crossed the frontier in a string of northern regions as well as from the Kremlin-annexed peninsula of Crimea in the south. They were also advancing into the Western-backed government's territory along the eastern front, where a separatist insurgency has claimed more than 14,000 lives since 2014. (Photo by Sergei SUPINSKY / AFP)
Conflito bélico no leste europeu envolve temas como o desenho da segurança na Europa, separatismo e energia
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Para além das ações e discursos das últimas horas, que viu o exército russo entrar em território ucraniano, o conflito militar entre Rússia e Ucrânia envolve temas estratégicos como os limites da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan), separatismo na Ucrânia e também a governança e distribuição de recursos energéticos.
OTAN
A Rússia alega que a Otan, e o país com maior poderio bélico da aliança militar, os Estados Unidos, romperam um trato firmado após a Guerra Fria de não se expandir para além de seus limites quando da queda do Muro de Berlim.
A Otan e os EUA, por sua vez, negam esse acordo e desde o fim da União Soviética têm admitido países do leste europeu, inclusive ex-repúblicas soviéticas, na aliança militar.
O presidente da Rússia, Vladimir Putin, pede garantias de que a Ucrânia não entrará para a Otan, de que armas não serão posicionadas perto das fronteiras de seu país e também que a aliança retorne para níveis de “capacidade e infraestrutura para o nível de 1997”.
A Otan e os EUA negam retornar aos seus níveis do século XX, mas o presidente da França, Emmanuel Macron, e o chanceler da Alemanha, Olaf Scholz, concederam em declarações recentes que a Ucrânia deverá ficar fora da aliança militar.
“A Rússia se move conscientemente em direção a um conflito com o Ocidente, tenta conseguir do Ocidente que ele mude as regras do jogo em diversas esferas e busca reconstruir a ordem europeia que se formou após a Guerra Fria”, afirmou o analista-sênior do International Crisis Group para a Rússia, Oleg Ignatov, em entrevista ao Brasil de Fato na quarta-feira (23).
Qual o papel das repúblicas separatistas de Donetsk e Lugansk?
Outro elemento central para o conflito é o status das autoproclamadas Repúblicas Populares de Donetsk e Lugansk. Ao anunciar a “operação militar” contra a Ucrânia, Putin disse que a Ucrânia comete um “genocídio” contras os russos étnicos do local.
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A movimentação separatista na região começou após o golpe de Estado de 2014 na Ucrânia, quando estas regiões se proclamaram independentes do governo de Kiev e adotaram uma Constituição própria. No mesmo ano, a Rússia anexou a Crimeia, até então parte do território ucraniano.
Putin reconheceu os separatistas nesta semana e os limites territoriais dessa decisão são importantes. As posições controladas pelos rebeldes pró-Rússia são menores do que as fronteiras dos distritos de Donetsk e Lugansk em suas constituições oficiais pela visão ucraniana.
Putin já afirmou que reconhece os limites das Constituições das autodeclaradas repúblicas e que poderia discutir a questão fronteiriça com Kiev, mas é improvável que as autoridades ucranianas aceitem essa negociação, já que seria uma cessão razoável de território.
O conflito na Ucrânia entre os separatistas e as forças estatais de segurança já causaram cerca de 14 mil mortos.
Gasoduto interrompido
Rússia e Alemanha construíram um gasoduto de 9,5 bilhões de euros, cerca de R$ 54 bilhões, para no final da obra deixá-la com a torneira fechada. O Nord Stream 2 liga o oeste da Rússia, passando pelo Mar Báltico, até o nordeste da Alemanha, mas teve sua certificação suspensa por Berlim após a Rússia reconhecer os separatistas ucranianos.
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A Rússia é responsável pelo fornecimento de cerca de 40% do gás natural da Europa e, assim como os europeus dependem do gás russo, a venda dessa comoddity também é central para a economia de Moscou.
“Bem-vindo ao admirável mundo novo, onde os europeus muito em breve pagarão 2.000 euros por 1.000 metros cúbicos de gás natural”, disse o vice-presidente do Conselho de Segurança da Rússia, Dmitry Medvedev.
Edição: Arturo Hartmann