ESTADÃO: GOVERNO AMPLIOU ESTATAL E DEU AO CENTRÃO, COMO PARTE DO ESQUEMA DO BOLSOLÃO
Da Redação Viomundo.
A Companhia de Desenvolvimento dos Vales do São Francisco e do Parnaíba (Codevasf) foi transformada pelo governo Bolsonaro numa “estatal do Centrão”, de acordo com denúncia do diário conservador paulistano O Estado de S. Paulo.
A área de cobertura da empresa passou a incluir 36,59% do território nacional, ampliação que sugere compra de apoio parlamentar no Congresso.
“Por decisão de Bolsonaro, a Codevasf também atende agora o Amapá, reduto do senador Davi Alcolumbre (DEM); o Rio Grande do Norte, base do ministro do Desenvolvimento Regional, Rogério Marinho (sem partido), e a Paraíba, do deputado Wellington Roberto, líder do PL na Câmara”, diz o texto do Estadão.
Com a criação de novas superintendências regionais em Macapá, Goiânia, Palmas e Natal — ficam atendidos os deputados Eduardo Gomes e o ministro Rogério Marinho, “que estuda concorrer ao governo do Rio Grande do Norte”, diz o diário.
O presidente da Câmara Arthur Lira (PP), o senador Ciro Nogueira (PP), o senador Roberto Rocha (PSDB) e o deputado Elmar Nascimento (sem partido) também são apontados pela reportagem como beneficiários, com a indicação de dirigentes da estatal.
O esquema na Codevasf é parte do chamado Bolsolão, o orçamento secreto de R$ 3 bilhões que Jair Bolsonaro montou para dar dinheiro à sua base parlamentar na Câmara e no Senado, também denunciado pelo Estadão.
Boa parte do dinheiro foi utilizada para comprar de tratores, encaminhados depois à base parlamentar dos deputados e senadores, em geral em cidades governadas por aliados políticos.
“Um caso emblemático é o do deputado Lúcio Mosquini (MDB-RO). O governo aceitou pagar R$ 359 mil num trator que, pelas regras normais, somente liberaria R$ 100 mil dos cofres públicos. No total, o deputado direcionou R$ 8 milhões”, informou o diário sobre o esquema paralelo montado pelo governo.
De acordo com o Estadão, “há situações até em que parlamentares enviaram milhões para compra de máquinas agrícolas para uma cidade a cerca de dois mil quilômetros de seus redutos eleitorais. É o caso dos deputados do Solidariedade Ottaci Nascimento (RR) e Bosco Saraiva (AM). Eles direcionaram R$ 4 milhões para Padre Bernardo (GO). Se a tabela do governo fosse considerada, a compra sairia por R$ 2,8 milhões. À reportagem, Saraiva disse que atendeu a um pedido de Nascimento, seu colega de partido. Por sua vez, Nascimento afirmou ter aceito um pedido do líder da legenda na Câmara, Lucas Vergílio (GO)”.
Claudio Cajado (PP-BA), Flavio Arruda (PL-DF), Vicentinho Junior (PL-TO), Rodrigo Cunha (PSDB-AL) e Elmano Ferrer (PP-PI) também aparecem como beneficiários.
“O flagrante do manejo sem controle de dinheiro público aparece num conjunto de 101 ofícios enviados por deputados e senadores ao Ministério do Desenvolvimento Regional e órgãos vinculados para indicar como eles preferiam usar os recursos”, explicou o matutino paulistano.
O Estadão não nomeou os autores dos 101 ofícios, nem informou quais foram atendidos.
Mas disse tratar-se de um esquema paralelo ao das emendas parlamentares, bolado para saciar a fome do Centrão por dinheiro.
O Estadão resumiu: “Na prática, a origem do novo esquema está no discurso de Bolsonaro de não distribuir cargos, sob o argumento de não lotear o primeiro escalão do governo. De um jeito ou de outro, a moeda de troca se deu por meio da transferência do controle de bilhões de reais do orçamento ao Congresso. Tudo a portas fechadas, longe do olhar dos eleitores”.