PRESIDENTE DA CPI, DO GENOCÍDIO DIZ QUE QUEIROGA FOI “UMA GRANDE DECEPÇÃO” E MINISTRO SERÁ CONVOCADO MAIS UMA VEZ

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O ministro da Saúde, apesar a insistência dos senadores, ficou se esquivando de perguntas sobre a cloroquina durante seu depoimento à CPI; para Omar Aziz (PSD-AM), Queiroga “não quer magoar o chefe”

 

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O depoimento evasivo do ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, aos senadores da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que apura ações e omissões do governo Bolsonaro na pandemia do coronavírus, a CPI do Genocídio, irritou os parlamentares e ele será convocado mais uma vez para prestar esclarecimentos.

Quem adiantou que Queiroga deverá falar novamente ao colegiado foi seu presidente, o senador Omar Aziz (PSD-AM), em entrevista ao historiador Marco Antonio Villa, via YouTube, neste domingo (9). Segundo o senador, o depoimento do ministro da Saúde foi “uma grande decepção” devido ao fato de ele ter se desviado de todas as inúmeras perguntas feitas sobre a adoção do uso da cloroquina, medicamento sem eficácia contra a Covid, pelo governo federal.

“O Queiroga foi uma grande decepção, ele como médico cardiologista. Quando a gente perguntava se ele era a favor da cloroquina – e ele não citava a palavra cloroquina, falava em ‘fármacos’ -, ele jogava para a Conitec”, disparou Aziz.

“Então é claro no posicionamento dele que ele é contra [o uso da cloroquina para tratamento da Covid], mas não quer magoar o chefe. E com certeza será reconvocado porque as contradições em relação à política do governo são totalmente diferentes da política do Ministério da Saúde. Então ele deve ser reconvocado”, completou o presidente da CPI.

O argumento central utilizado pro Queiroga, na CPI, para desviar das perguntas sobre o chamado “tratamento precoce” e o uso da cloroquina e da hidroxicloroquina era o de que essas drogas não haviam passado pela Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e que, por conta disso, ele não poderia comentar.

Desmentido

O senador Rogério Carvalho (PT-SE) levou à CPI documentos que mostram que o Ministério da Saúde recomendou o uso da cloroquina no Sistema Único de Saúde (SUS) mesmo sem um parecer favorável dessa comissão. Carvalho é médico e foi secretário estadual de Saúde de Sergipe.

“Esta comissão define, para além do Conselho Federal de Medicina (CFM), o que pode e o que não pode ser utilizado no Sistema Único de Saúde. Aqui tem uma nota do Ministério da Saúde que orienta o uso da cloroquina nas fase 1, 2 e 3, mas isso não tem autorização legal”, afirmou Carvalho.

O documento em questão, intitulado “ORIENTAÇÕES PARA MANUSEIO MEDICAMENTOSO PRECOCE DE PACIENTES COM DIAGNÓSTICO DA COVID-19”, foi produzido sem parecer da Conitec durante a gestão do ministro Eduardo Pazuello e pode ser visto aqui.

“Os médicos podem prescrever por livre iniciativa pela liberdade dada pelo CFM, mas não no Sistema Único de Saúde. O Sistema Único de Saúde está subordinado ao padrão de integralidade àquilo que é incorporado como tecnologia do SUS. Então, não procede que o Ministério da Saúde não indica. Tá aqui o documento em que o Ministério orienta em que fases usar. Isso nunca passou pela Conitec e, além de passar pela Conitec, tem que ter autorização da Anvisa para que possa ser incorporado como um insumo a ser utilizado pelo SUS. Eu não estou perguntando, eu estou afirmando que o ministério da Saúde já adotou, sem Conitec. Portanto, uma ilegalidade flagrante, seu presidente”, disse.

Humberto Costa apoia novo depoimento de Queiroga

O senador Humberto Costa (PT-PE) vai apresentar à CPI do Genocídio requerimento solicitando a reconvocação do atual ministro da Saúde, Marcelo Queiroga.

Costa afirma que a portaria assinada pelo ministro foi uma clara tentativa de endossar a narrativa do governo de Jair Bolsonaro, de que os governadores são os culpados pela pandemia do coronavírus, de acordo com informações da coluna Painel, na Folha de S.Paulo.

A portaria trata de fiscalização e cobrança de verbas transferidas pelo ministério para estados e municípios.

Secretários de Saúde destacam que a portaria pode ter uso político, com o objetivo de intimidar governos estaduais e municipais e, com isso, fortalecer a defesa do Executivo federal na CPI.

 

 

 

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Ivan Longo

Jornalista e repórter especial da Revista Fórum.

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