NA PANDEMIA, BRASIL SE TORNOU “EXPERIMENTO MACABRO DE ‘LIMPEZA RACIAL'”, DIZ JEAN WYLLYS

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Vacinação drive thru na Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ), zona norte do Rio. A cidade do Rio de Janeiro retoma hoje (25) sua campanha de aplicação da primeira dose da vacina contra a covid-19 em idosos da população em geral. Hoje serão vacinados os idosos com 82 anos.

Segundo levantamento exclusivo da Agência Pública, há cerca de duas pessoas brancas para cada pessoa negra vacinada contra coronavírus no país

O ex-deputado federal pelo PSOL, Jean Wyllys, usou as redes sociais, nesta terça-feira (16), para fazer um desabafo, no dia em que o Brasil registrou novo recorde de mortos por Covid-19: 2.842 pessoas em 24 horas.

“O Brasil se tornou, desde a emergência da pandemia de Covid-19, o laboratório de um experimento macabro de gestão da pobreza e de ‘limpeza racial’ por meio da doença levado a cabo por um governo de neoliberais corruptos (pleonasmo) e genocidas. Temos que seguir resistindo!”, postou Wyllys.

Para confirmar a tese do ex-deputado, levantamento exclusivo realizado pela Agência Pública aponta que existem mais pessoas brancas do que negras vacinadas contra o coronavírus no país.

A pesquisa foi feita a partir dos dados de 8,5 milhões de pessoas que receberam a primeira dose das vacinas contra a Covid-19 aprovadas pela Anvisa.

O trabalho indica que há cerca de duas pessoas brancas para cada pessoa negra imunizada. Em números são: 3.251.599 pessoas brancas vacinas e 1.769.586 pessoas negras que foram imunizadas.

A diferença nos dados de vacinação entre brancos e negros é mais grave ainda em função da desigualdade nos níveis de mortalidade pela Covid-19 no país: há proporcionalmente mais mortes entre negros do que brancos.

O resumo é que negros são a maioria absoluta entre os casos registrados de Covid-19 no Brasil e também das mortes.

Grupos prioritários

O país imunizou somente 4,5% da população com a primeira dose, até 14 de março. Apesar de o Plano Nacional de Imunização do Ministério da Saúde incluir populações negras entre os grupos prioritários (quilombolas), mesmo assim, há menos pessoas negras vacinadas do que brancas.

A Agência Pública apurou que, no Brasil, existem 3,2 milhões de pessoas que se declararam brancas e que receberam a primeira dose. Entre pessoas negras, o número cai para pouco mais de 1,7 milhão.

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