BORIS VARGAFTIG*: SE NÃO GARANTIR A VACINA, BOLSONRO DEVE SER DERRUBADO

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Fotos Públicas

CIÊNCIA E CULTURA


07/12/2020.

Governo Bolsonaro: a vacinação ou a queda

Por B. Boris Vargaftig*

O principal eixo da esquerda socialista deve ser a existência de um plano nacional de vacinação, de modo que toda a população do país esteja vacinada até o fim do primeiro semestre de 2021.

Milhares de brasileiros serviram como voluntários para os testes, e importantes instituições científicas nacionais tiveram um papel fundamental na descoberta das vacinas.

Trata-se, portanto, de uma reivindicação mais do que justa.

Ao invés de destinado para o pagamento dos juros e amortizações da dívida, enriquecendo os já milionários credores, um montante significativo do fundo público tem que ser gasto com a produção em massa de vacinas e com a compra das mesmas junto aos laboratórios internacionais.

O SUS deve ser responsável por 100 por cento da aplicação das vacinas, de modo que o direito à não contaminação não seja um privilégio dos que podem pagar pela imunização.

Postos públicos de vacinação devem ser construídos emergencialmente de modo que haja celeridade na vacinação da população e que aglomerações não sejam criadas justamente quando as pessoas estarão prestes a se libertarem do risco da contaminação.

Tudo isso é possível de ser feito, e de modo breve.

Um plano nacional de vacinação é hoje a maior necessidade de milhões e milhões de trabalhadores.

Lutar por ele implica lutar tanto contra o governo neofascista e negacionista, quanto contra sua política econômica ultraneoliberal, que é apoiada pela “oposição” burguesa e seus finórios ideólogos tecnocráticos dos telejornais.

Nada hoje vai mais ao encontro das necessidades das massas e de encontro ao bolsonarismo e ao ultraneoliberalismo do que a luta por um plano nacional de vacinação para toda a população brasileira o mais rápido possível.

Que esta reivindicação básica se converta em pecado inadmissível aos olhos do mercado e dos neofascistas diz mais sobre o caráter genocida de ambos do que sobre o nosso radicalismo – o qual, entretanto, não precisamos esconder.

Aliás, se ser radical é ir à raiz dos problemas, e “se a raiz do homem é o próprio homem”, disse certa feita o ainda imberbe Marx, vale lembrar que esse homem tem de estar, antes de tudo, vivo.

Se o governo Bolsonaro for incapaz de garantir este plano, se ele for incapaz de garantir a vida da população que governa, deve ser derrubado. Sem piedade.

*Boris Vargaftig é médico farmacologista, professor titular aposentado da USP

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