ADVOGADO DO RIO GRANDE DO SUL PREGOU ESTUPRO DE FILHAS DE MINISTROS DO STF, DIZ ALEXANDRE DE MORAES
Eu não vou ser o primeiro a chutar o pau da barraca. Eles estão abusando. Isso está a olhos vistos. O ocorrido no dia de ontem, quebrando sigilo de parlamentares, não tem história nenhuma vista em uma democracia por mais frágil que ela seja. Está chegando a hora de tudo ser colocado no devido lugar. Jair Bolsonaro, presidente da República
Da Redação Viomundo.
O presidente Jair Bolsonaro está acuado.
Afinal, foi o procurador-geral da República indicado por ele, Augusto Aras, quem pediu a quebra de sigilo de 11 parlamentares do PSL, no inquérito das manifestações antidemocráticas.
Coube a Alexandre de Moraes autorizá-las.
Em live na TV Justiça, o ministro leu uma lista de ameaças recebidas por ministros do STF e disse que elas estão longe de representar “liberdade de expressão”.
Segundo ele, uma das ameaças foi feita por uma advogada do Rio Grande do Sul, que estimulou o estupro das filhas de ministros do STF (ver vídeo).
Foi uma justificativa para as medidas duras determinadas por ele a pedido da PGR.
Moraes quebrou o sigilo de Bia Kicis (PSL-DF), Carla Zambelli (PSL-SP), Cabo Junio Amaral (PSL-MG), Otoni de Paula (PSC-RJ), Daniel Silveira (PSL-RJ), Carolina de Toni (PSL-SC), Alê Silva (PSL-MG), General Girão (PSL-RN), Guiga Peixoto (PSL-SP) e Aline Sleutjes (PSL-PR) e do senador Arolde de Oliveira (PSD-RJ).
São os integrantes da tropa de choque bolsonarista no Congresso.
O ministro também quer saber quem financia os sites bolsonaristas.
Por isso, a Operação Lume incluiu pedidos para que as redes sociais forneçam dados financeiros de páginas de apoio ao presidente:
Facebook: Terça Livre (de Allan dos Santos), Folha Política, Foco do Brasil, Alberto Silva, Roberto Boni (que faz cover de Roberto Carlos), Ravox Brasil, Oswaldo Eustáquio, Sara Winter, Camila Abdo Calvo, Marcelo Razão, Vlog do Lisboa e Nação Patriota.
Instagram: Alberto Silva BR, Terça Livre, Foco do Brasil, Nação Patriota Ofic, Ravox Brasil, Eustáquio Oswaldo, Sara Winter, Folha do Brasil, Vlog do Lisboa, Dr Frazão Marcelo e Camila Abdo.
YouTube: Terça Livre, Vlog do Lisboa, Universo, Nação Patriota, Folha Política, Foco do Brasil, O Giro de Notícias, Ravox Brasil, Oswaldo Eustáquio, Sara Winter, TV Direita News, Direto aos Fatos e Emerson Teixeira.
Sara Winter, a organizadora do desmantelado acampamento 300 do Brasil, por sua vez, foi denunciada por injúria e ameaça contra o ministro pelo Ministério Público Federal.
Depois de ser alvo de busca e apreensão em outro inquérito, o das fake news, ela declarou:
Pois você me aguarde, Alexandre de Moraes, o senhor nunca mais vai ter paz na vida do senhor. A gente vai infernizar a tua vida. A gente vai descobrir os lugares que o senhor frequenta. A gente vai descobrir quem são as empregadas domésticas que trabalham pro senhor. A gente vai descobrir tudo da sua vida. Até o senhor pedir pra sair. Hoje o senhor tomou a pior decisão da vida do senhor.
Jair Bolsonaro prometeu uma reação mas não explicou qual será.
A expectativa da base fiel a Olavo de Carvalho, guru de Bolsonaro, é de que o presidente invoque o artigo 142 da Constituição — o da intervenção militar.
Apesar das bravatas, é difícil acreditar que os militares instalados nos postos-chave do governo Bolsonaro estejam de fato interessados em organizar um golpe, já que recairia contra eles a reação institucional, popular e a condenação internacional — num momento em que o Brasil está próximo de atingir 50 mil mortes causadas pela pandemia de coronavírus.
Se Bolsonaro não reagir, corre o risco de ver minguar ainda mais a base que ele estimulou continuamente ao longo dos últimos meses nos ataques ao Congresso e ao STF.
O presidente optou por esta tática por falta de base parlamentar no Congresso: a tarefa do chamado gabinete de ódio era acuar os adversários com assassinatos de reputação orquestrados nas redes sociais.
Os bolsonaristas argumentam que a Corte e o Parlamento, apoiadas pela mídia, estão impedindo o presidente de realizar sua agenda de extrema-direita.
Os três principais generais a serviços de Bolsonaro — Augusto Heleno, Luiz Eduardo Ramos e o ministro da Defesa Fernando Azevedo e Silva — fizeram críticas ácidas ao STF, além de ameaças veladas ao TSE sobre possível cassação da chapa Bolsonaro-Mourão.
Por outro lado, os militares são acusados pelos bolsonaristas raiz de tentar afastar do poder a chamada ala ideológica — a possível demissão do ministro Abraham Weintraub, da Educação, é atribuída a vazamentos do general Ramos.
Olavo de Carvalho já atacou o general, a quem chamou de leviano: “Senhor Ramos, o senhor que é amigo do [comunista] Aldo Rebelo, por acaso já perguntou de onde vem o dinheiro do Foro de São Paulo?”, disse ele em vídeo que publicou no You Tube.
Se Bolsonaro topar tutela completa dos militares, com apoio dos liberais, ele completará seu primeiro mandato mas dificilmente terá força eleitoral para se reeleger em 2022, já que seus seguidores razi vão acusá-lo de traição.
Os liberais já sinalizaram que topam manter Bolsonaro no poder para preservar a agenda de privatizações do ministro da Economia Paulo Guedes.
É possível que algum acordo seja fechado com a garantia de imunidade aos filhos do presidente, especialmente Flávio e Carlos Bolsonaro, enrolados com a Justiça em múltiplas investigações.

