QUILOMBO NA BAHIA DENUNCIA “CLIMA DE TERROR” APÓS ASSASSINATO DE LÍDER
Enquanto avança processo de titularidade do Quilombo Rio dos Macacos, aumenta o assédio aos quilombolas. A comunidade localiza-se em região de disputa territorial com Marinha, que restringe o acesso a pessoas e a serviços públicos
A Associação dos Remanescentes de Quilombo Rio dos Macacos publicou uma nota nesta quarta-feira (11) denunciando a escalada de terror e violência contra o seu território nos últimos dias. No dia 25 de novembro, o líder quilombola José Izídio Dias, conhecido como “Seu Vermelho”, foi assassinado e, desde então, arrombamentos e rondas de “pessoas não identificadas” têm crescido. Segundo eles, os ataques têm a ver com o avanço do processo de titulação da região.
O quilombo afirma que tem buscado órgãos e programas públicos, além de entidades de direitos humanos, com o objetivo de garantir a segurança da região, mas por enquanto nada foi feito para conter os ataques. “Até o momento, nenhuma medida de proteção para os moradores e território em risco foi articulada ou implementada e as famílias seguem as noites em claro”, diz o texto.
“Importante evidenciar que o assassinato ocorreu logo após a comunidade retornar da 174ª sessão da Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), no Equador, e a divulgação da sentença que determinou que o INCRA conclua o processo de titulação do território, conferindo a propriedade à Associação dos Remanescentes de Quilombo Rio dos Macacos”, destaca ainda a publicação.
O quilombo localiza-se em uma área reivindicada pela Marinha do Brasil, que controla a circulação de pessoas e serviços na região. Segundo os quilombolas, a Marinha “fortalece a perpetuação da grave condição de vulnerabilização da comunidade” e impede a comunidade “de ter acesso a políticas públicas básicas, como iluminação, saúde, educação, entre outras”.