LULA, NICOLÁS MADURO E CRISTINA KIRCHNER DENUNCIAM GOLPE CONTRA EVO; VEJA REPERCUSSÃO

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BOLÍVIAA

Autoridades políticas, partidos e organizações populares manifestaram solidariedade ao povo boliviano

Cristiane Sampaio

Brasil de Fato | São Paulo (SP)

10 de Novembro de 2019.

Na manhã deste domingo (10), Evo Morales convocou novas eleições, mas o anúncio não foi suficiente para conter o golpe de Estado / Divulgação/Governo da Bolívia

golpe de Estado na Bolívia gera repercussões neste domingo (10), mobilizando políticos, movimentos populares, especialistas e militantes em geral. Por meio de seu perfil no Twitter, o ex-presidente Lula (PT) destacou que Evo Morales foi “obrigado a renunciar”. “É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres”, completou o petista, classificando o contexto boliviano como “golpe de Estado”.   

Adotando tom semelhante, o ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad (PT) provocou a Organização dos Estados Americanos (OEA): “A OEA abriu caminho para o golpe na Bolívia. Podia se manifestar sobre o que acha dos últimos acontecimentos”. A declaração é uma referência à proposta feita pelo organismo de anular o primeiro turno das eleições bolivianas, com realização de um novo pleito no país. 

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A líder da minoria na Câmara dos Deputados, Jandira Feghali (PCdoB-RJ), afirmou que teme pelos segmentos indígenas, mulheres, camponeses e organizações sociais e ressaltou que o país de Morales é “uma das economias que mais cresciam, garantidora de direitos e recuperação da seguridade social”. Em um posicionamento oficial, a Secretaria De Relações Internacionais do PCdoB disse condenar “energicamente o golpe perpetrado contra o legítimo presidente da Bolívia, Evo Morales” e prestou solidariedade ao povo do país. 

O líder do PSOL Guilherme Boulos seguiu a mesma linha e disparou críticas à oposição do país. “A quartelada boliviana virou golpe militar. E isso depois de Evo ter aceitado a convocação de novas eleições Inacreditável que em 2019 a América Latina volte a viver cenas de 50 anos atrás. Onde está agora a OEA, tão ‘preocupada’ com a democracia boliviana? Não ao golpe”, declarou Boulos, que também é um dos líderes nacionais do Movimento dos Trabalhadores sem Teto (MTST).  

Internacional

Os protestos e manifestações de solidariedade a Morales e à população do país vizinho vieram também de outros chefes de Estado, como é o caso de Nicolás Maduro, presidente da Venezuela. Via Twitter, ele disse condenar o “golpe de estado” contra Morales, a quem chamou de “irmão”. “Os movimentos sociais e políticos no mundo nos declaramos em mobilização para exigir a preservação da vida dos povos originários bolivianos vítimas de racismo”, destacou. 

O presidente cubano Miguel Díaz-Canel também se solidarizou com Evo Morales. Os dois países mantêm forte relação política. O mandatário repudiou o que chamou de “estratégia golpista opositora que começou na Bolívia, que custou mortes, centenas de feridos e manifestações condenáveis de racismo contra os povos originários”. 

Em outra manifestação de solidariedade vinda de Cuba, o ministro das Relações Exteriores, Bruno Rodríguez, disse que a chancelaria de Havana “condena energicamente o golpe de Estado na Bolívia”. “Nossa solidariedade com o irmão presidente Evo Morales, protagonista símbolo da reivindicação dos povos originários de nossa América”, disse Rodríguez, convocando ainda uma “mobilização mundial pela vida e pela liberdade de Evo”. 

Já a ex-presidenta da Argentina Christina Kirchner adotou um tom de ironia e afirmou que “manifestações violentas sem nenhum tipo de limitação por parte das forças policiais incendeiam casas e sequestram pessoas enquanto as Forças Armadas ‘sugerem’ ao presidente indígena e popular Evo Morales que renuncie”. Ela também cobrou “ações claras em defesa da democracia, independentemente de qual seja a orientação política dos governos que surgem da vontade popular”.

Movimentos populares

Com a frase “ditadura nunca mais”, o Movimento dos Trabalhadores Rurais sem Terra (MST) destacou a ocorrência de “um golpe militar” e sustentou que “quem deve decidir o futuro de seu país é o povo”. Dirigente nacional da entidade, João Paulo Rodrigues lembrou Simón Bolívar. “Ao mesmo tempo em que as tempestades do golpismo dos Estados Unidos atormentam nossos povos, os ventos da esperança e da luta contra o fascismo e o neoliberalismo ecoam em todos os países”, afirmou, em manifestação feita pelas redes sociais.   

A vice-presidenta da União Nacional dos Estudantes (UNE), Jessy Dayane, também somou sua voz aos protestos contra a oposição boliviana. Ela afirmou que “setores empresariais e as oligarquias racistas e misóginas, que nunca aceitaram as conquistas populares do governo de Evo Morales, vinham numa crescente de violência que se intensificou nos últimos dias, forçando a renúncia de Evo em nome da preservação da vida do povo boliviano”.  

Declarações

Confira publicações do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva; da recém-eleita vice-presidenta da Argentina, Cristina Kirchner; do presidente venezuelano,N Maduro; e do presidente eleito da Argentina, Alberto Fernández:

Lula

@LulaOficial

Acabo de saber que houve um golpe de estado na Bolívia e que o companheiro @evoespueblo foi obrigado a renunciar. É lamentável que a América Latina tenha uma elite econômica que não saiba conviver com a democracia e com a inclusão social dos mais pobres.

27,5 mil pessoas estão falando sobre isso

Cristina Kirchner

@CFKArgentina

En Bolivia, manifestaciones violentas sin ningún tipo de limitación por parte de las fuerzas policiales, incendian viviendas y secuestran personas mientras las Fuerzas Armadas le “sugieren” al presidente indígena y popular Evo Morales que renuncie.

14,9 mil pessoas estão falando sobre isso

Nicolás Maduro

@NicolasMaduro

Condenamos categóricamente el golpe de Estado consumado contra el hermano presidente @evoespueblo. Los movimientos sociales y políticos del mundo nos declaramos en movilización para exigir la preservación de la vida de los pueblos originarios bolivianos víctimas del racismo.

Ver imagem no Twitter
15,6 mil pessoas estão falando sobre isso

Alberto Fernández

@alferdez

Nosotros, defensores de la institucionalidad democrática, repudiamos la violencia desatada que impidió a @evoespueblo concluir su mandato presidencial y alteró el curso del proceso electoral.

Alberto Fernández

@alferdez

El quiebre institucional en Bolivia es inaceptable. El pueblo boliviano debe escoger cuanto antes, en elecciones libres e informadas, a su próximo gobierno.

2.579 pessoas estão falando sobre isso

Edição: Camila Maciel

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