GILMAR MENDES DÁ RESPOSTA DURA E DIRETA A FLÁVIO BOLSONARO POR ALEGAÇÕES DE FRAUDE NA ELEIÇÃO
Sem meias palavras, como de costume
Ministro decano do STF, com sua típica linguagem demolidora, fez uma postagem acabando com os pseudoargumentos do senador derrotado por Lula. Leia a mensagem
O ministro Gilmar Mendes, decano do Supremo Tribunal Federal (STF), numa contundente reação em defesa das instituições brasileiras, desconstruiu categoricamente as ilações e acusações sem provas repetidas pelo senador foragido Flávio Bolsonaro (PL) sobre o sistema de votação do país. Por meio de uma publicação oficial em sua conta na rede social X (antigo Twitter), o magistrado mais uma vez adotou sua notória linguagem firme e demolidora para enterrar os pseudoargumentos do parlamentar derrotado por Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições de 2026.
A manifestação do decano ocorre em resposta direta à maratona de declarações transmitidas por Flávio à imprensa estrangeira nos EUA, país para onde fugiu clandestinamente após burlar ordens judiciais brasileiras. Em entrevistas recentes concedidas a veículos internacionais como o The Washington Post e o The New York Times, o filho do ex-presidente condenado Jair Bolsonaro (PL) voltou a insistir na tese de supostas fraudes e na invenção de que o Brasil não seria mais uma democracia, admitindo, no entanto, na mesma ocasião, que não dispunha de nenhuma evidência concreta ou prova para sustentar suas alegações.
Contexto da fuga e o hábito da desinformação
O discurso golpista de Flávio Bolsonaro repete o padrão adotado por seu grupo político após o término do pleito de 2026. Mesmo diante de uma derrota confirmada pelas urnas por uma diferença de mais de 4,4 milhões de votos, o senador buscou criar narrativas paralelas para justificar o fracasso eleitoral e a subsequente fuga do país. Ao reaparecer na Flórida em busca de um suposto “refúgio humanitário” oferecido por Donald Trump, Flávio tenta transformar sua condição de investigado por acusações criminais graves em uma alegada perseguição política.
No entanto, a alegação de incoerência e falta de higidez nas urnas eletrônicas tropeça na própria realidade dos fatos: o próprio partido de Flávio e de seu pai, utilizando esse mesmo sistema de votação, foi o grande vitorioso nas eleições legislativas e estaduais do mesmo pleito, elegendo seis governadores e conquistando as maiores bancadas tanto na Câmara dos Deputados quanto no Senado Federal. A insistência em atacar unicamente o resultado da disputa presencial expõe a natureza estritamente ideológica e infundada dos questionamentos.
Contundência do decano e a defesa da Justiça Eleitoral
Diante da propagação dessas aleivosias em solo estrangeiro, Gilmar Mendes utilizou sua postura incisiva para restabelecer a verdade factual e listar o arcabouço técnico de auditorias e o respaldo internacional de observadores independentes que atestaram a lisura indiscutível do pleito brasileiro. O decano destacou que o sistema de urnas eletrônicas completa 30 anos de uso ininterrupto no Brasil sem que jamais tenha sido registrado um único indício comprovado de manipulação.
Sem citar nominalmente o foragido, mas endereçando cada ponto de sua retórica, o ministro qualificou as declarações como “levianas” e impulsionadas por “intenções espúrias ou alheamento da realidade”. Gilmar também fez questão de frisar a presença de 179 observadores da Organização dos Estados Americanos (OEA) e de auditores do Carter Center, lembrando que todas as etapas de fiscalização estiveram abertas à participação irrestrita da oposição e do próprio partido do candidato derrotado.
Veja a mensagem na íntegra de Gilmar Mendes:
“Diante de acusações levianas lançadas contra o resultado das eleições, que apenas revelam intenções espúrias ou alheamento da realidade de quem as propaga, é preciso reafirmar algumas obviedades sobre a urna eletrônica, que há 30 anos garante eleições limpas no Brasil.
As eleições de 2026 foram acompanhadas por missões internacionais. A da OEA, com 179 observadores, a maior já realizada no Brasil, constatou que os resultados divulgados pelo TSE coincidem com as informações colhidas em campo e afirmou ‘não ter dúvidas quanto à integridade dos dados oficiais’. Para o Carter Center, organização norte-americana de referência mundial em observação eleitoral, o processo foi ‘bem-organizado e transparente, com oportunidades de fiscalização por partidos políticos e eleitores’.
O TSE convidou ainda dezenas de especialistas estrangeiros. Um deles, Daniel Zovatto, ex-diretor do IDEA Internacional para a América Latina, acompanhou em Brasília as auditorias e as descreveu como um mecanismo rigoroso, gravado em tempo real para assegurar máxima transparência.
São três auditorias, realizadas em todos os estados, nos dois turnos. O Teste de Autenticidade confirma que o programa instalado na urna é o mesmo que foi assinado digitalmente e lacrado em cerimônia pública. O Teste de Integridade, com e sem biometria, confirma que a urna conta exatamente os votos que recebe. Urnas retiradas de seções de diferentes regiões de cada estado recebem, ao longo do dia, votos previamente escritos por fiscais de diferentes partidos em cédulas de papel, e no fim o resultado é conferido voto a voto. Na modalidade com biometria, a urna é liberada pela digital de eleitores reais da própria seção, convidados a participar depois de votarem, tal como na votação oficial.
Os partidos políticos estão no centro dessa auditoria. São eles, ao lado do Ministério Público, da Defensoria Pública e da OAB, que escolhem quais urnas serão testadas, e podem acompanhar cada etapa, da escolha das seções à conferência final. Esse direito foi assegurado a todos, da situação e da oposição, inclusive ao partido do candidato derrotado no segundo turno. Os trabalhos foram acompanhados ainda por auditores do TCU em todos os estados, e a auditoria foi transmitida ao vivo no YouTube.
Há mais de 20 anos o sistema se submete a testes como esses, sem que jamais se tenha constatado um único indício de manipulação. O partido do candidato derrotado, que teve amplas possibilidades de participar de todas as auditorias, elegeu com essas mesmas urnas as maiores bancadas da Câmara e do Senado, além de seis governadores. Ainda assim, há quem alimente agora falsas narrativas contra o pleito.
Tudo em vão. Ao longo dos anos, a Justiça Eleitoral prestou serviços relevantes à nação e construiu uma reputação de excelência, reconhecida por organismos internacionais, que não será tisnada por aleivosias como essas. A sociedade brasileira sabe apartar as bravatas do discurso sério e responsável.”
Encerramento de mais um capítulo de narrativas golpistas
A resposta irrefutável de Gilmar Mendes sela a posição da Suprema Corte e da Justiça Eleitoral diante de tentativas externas de desestabilização da reputação democrática do Brasil. Enquanto Flávio Bolsonaro permanece foragido da Justiça e isolado em discursos sem respaldo técnico, a infraestrutura institucional brasileira reafirma sua solidez perante a comunidade internacional e a sociedade civil, comprovando que ilações vazias não prevalecem sobre a transparência do processo eleitoral nacional