TEMER É O FIADOR DO ACORDO DE FLÁVIO BOLSONARO COM ALEXANDRE DE MORAES E O STF
Articulação nos bastidores envolveria ex-presidente golpista como mediador da “paz dos cemitérios”, garantindo salvaguardas políticas enquanto propostas de desmonte de direitos entram na mira.
Há uma movimentação política que merece muita atenção neste segundo turno. Os ministros do STF Alexandre de Moraes e Gilmar Mendes teriam selado um entendimento com Michel Temer, que declarou apoio público à candidatura de Flávio Bolsonaro.
Temer atua como o grande mediador dessa “paz dos cemitérios” entre o Supremo Tribunal Federal e o filho “01” de Jair Bolsonaro. E o primeiro sinal seria a liberação por parte de Alexandre de Moraes para que Flávio possa visitar o pai, preso por tentativa de golpe de Estado. Isso deve acontecer a qualquer momento.
A lógica por trás do arranjo é pragmática diante das ameaças do bolsonarismo de cassar e até prender ministros do STF. É o famoso acordo de sobrevivência onde o sistema de freios e contrapesos sofre acomodações de bastidores. É aquela frase do Romero Juca: “Com o Supremo e com tudo…”.
Contudo, a extrema direita já sinaliza a boiada legislativa que pretende passar no país. Flávio Bolsonaro escancarou recentemente o plano de alterar a Constituição para desmantelar pilares fundamentais do Estado de bem-estar social no Brasil.
Na mira desse projeto estariam o fim dos pisos constitucionais e dos vínculos orçamentários obrigatórios para a saúde e a educação. Na prática, isso significaria menos institutos federais, o fim de programas como a Farmácia Popular, a redução drástica do SUS e o fechamento de hospitais públicos — um cenário parecido com o experimentado durante o governo de Jair Bolsonaro.
Também estaria na mira a legislação trabalhista, institucionalizando o regime de trabalho de 7×0, com pagamento por hora prestada. Fazendo as contas com base nos parâmetros defendidos pelos bolsonaristas, o valor da hora de trabalho seria de R$ 7,37, revivendo o fantasma da precarização dos anos 1990.
É por isso que eu acho que precisamos prestar atenção aos movimentos dos próximos dias.
Porque o que está em jogo não é apenas um acordo “com o Supremo, com tudo”.
É o projeto de país que pode sair dele.
