FIRMAS DE FLÁVIO BOLSONARO E CARECA DO INSS TÊM SEDE NA MESMA SALA, DIZ ICL

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Senador candidato à Presidência mantém sua empresa, a Brasil Grafeno, no mesmo espaço que a contabilidade do pivô do escândalo do INSS, que ainda presta serviço ao político de extrema direita

Por: Henrique Rodrigues: 11/09/2026 –
Flávio Bolsonaro – Foto: Mateus Bonomi / Anadolu via AFP

Uma apuração exclusiva do portal ICL Notícias trouxe à tona uma conexão direta e até então oculta entre o clã político do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e o epicentro de uma das maiores fraudes contra o erário registradas no país. Segundo os dados levantados pelo veículo independente, uma empresa comercial pertencente ao senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) está registrada e utiliza exatamente a mesma estrutura física e de endereço cadastral que abriga ao menos 16 companhias operadas por Antonio Carlos Camilo Antunes, amplamente conhecido nos bastidores de Brasília como o “Careca do INSS”.

Para ler a matéria completa do ICL Notíciais, clique neste link.

O investigado é apontado pela Polícia Federal como o operador central de um esquema bilionário de descontos associativos indevidos que pilhou os proventos de mais de 4,3 milhões de aposentados e pensionistas em todo o Brasil. As ilicitudes, ocorridas no intervalo entre 2019 e 2024, causaram um rombo estimado em R$ 2 bilhões. A apuração do ICL Notícias revela que o empreendimento do pré-candidato presidencial de extrema-direita não apenas compartilha a mesma sala comercial com a rede do operador preso, como também contratou os serviços do mesmo escritório contábil responsável pelo gerenciamento financeiro das entidades sob investigação da PF no âmbito da Operação Sem Desconto.

Instalações idênticas no Distrito Federal e bastidores no prédio comercial

O ponto geográfico que entrelaça os negócios do senador à rede do operador do INSS situa-se no Distrito Federal: a sala 2601 do Bloco D no Edifício Connect Towers, localizado em Águas Claras. Diligências de campo efetuadas pela equipe do ICL Notícias na manhã desta sexta-feira (11) atestaram a movimentação no local. Na recepção do edifício, funcionários confirmaram expressamente que o conjunto 2601 é gerido e ocupado pela Voga Serviços Contábeis, firma de propriedade do contador Alexandre Caetano dos Reis, sócio do Careca do INSS e atualmente custodiado no sistema penitenciário.

A despeito de o cadastro formal da Receita Federal indicar a sala 2601 como a sede fiscal e jurídica da Bravo Grafeno (empresa de Flávio Bolsonaro) e do conglomerado de Antunes, o fluxo operacional cotidiano do espaço revela uma simbiose com a própria estrutura da Voga Contabilidade, que se espalha por quatro salas no mesmo andar. Representantes jurídicos da empresa contábil abordados no local pela reportagem do ICL reconheceram a prestação de serviços ao parlamentar do PL, porém tentaram dissociar a sala 2601 da firma, alegando que o espaço funcionaria como uma modalidade de escritório compartilhado (coworking) com gestão distinta, versão que contrasta diretamente com os relatos de funcionários do prédio colhidos no corredor pela equipe jornalística.

Estrutura da Bravo Grafeno e o garoto-propaganda familiar

Criada em junho de 2024 sob o nome empresarial de Bravo Grafeno, a companhia do senador conta com um capital social declarado de R$ 100 mil e atua no segmento de acessórios e equipamentos de proteção para motociclistas. O carro-chefe da empresa é a comercialização online de capacetes fabricados com liga de grafeno pelo valor unitário de R$ 598,90, além de viseiras acessórias.

O negócio familiar utiliza intensamente a imagem do ex-presidente Jair Bolsonaro como peça central de publicidade e promoção comercial. Vídeos veiculados no portal oficial da marca exibem o antigo chefe do Executivo atestando a qualidade do equipamento e apelando ao sentimento de patriotismo dos consumidores. O domínio na internet da loja virtual foi registrado no nome do próprio senador Flávio Bolsonaro. O lançamento oficial do produto foi promovido por Jair Bolsonaro em eventos do setor de motopeças em São Paulo, contando com a chancela e divulgação de figuras públicas aliadas ao grupo político, como o ex-piloto de automobilismo Nelson Piquet.

Teia societária e os elos com alvos de investigações

Além de Flávio Bolsonaro, o quadro societário da empresa de capacetes expõe uma teia de relações com figuras carimbadas do universo político e com investigados da Operação Sem Desconto, conforme detalhado na reportagem do ICL Notícias:

  • Carlos Bolsonaro: O ex-vereador do Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado Federal pelo PL em Santa Catarina figura como sócio formal do empreendimento.
  • Pedro Luiz Dias Leite: Empresário sócio da Bravo Grafeno que manteve ligações societárias anteriores com Marcello de Oliveira Lopes, o “Marcelão”, ex-marqueteiro de Flávio investigado por aportar R$ 1 milhão na produtora responsável pela cinebiografia Dark Horse.
  • Antigos assessores: Aparecem na sociedade o personal trainer Paulo Giordano Bernardi e Fernando Nascimento Pessoa, ex-assessor do senador que foi objeto de apurações no caso das “rachadinhas” na Assembleia Legislativa do Estado do Rio de Janeiro (Alerj).

QG corporativo do Careca do INSS e a circulação de milhões

A reportagem revelou o impressionante volume de empresas de fachada abertas pelo Careca do INSS no mesmo conjunto comercial ocupado pelo negócio de Flávio Bolsonaro. A análise de dados públicos permitiu mapear pelo menos 16 pessoas jurídicas registradas em nome de Antonio Carlos Camilo Antunes na sala 2601 do Edifício Connect Towers.

A constelação de empresas abarcava ramos diversificados como consultoria financeira, construção civil, mercado imobiliário, locação de veículos e centrais de atendimento telefônico. Uma parcela significativa desses CNPJs foi constituída simultaneamente em datas específicas, como um lote de oito companhias abertas no mesmo dia em outubro de 2023.

Entre as firmas abrigadas no mesmo endereço da empresa do pré-candidato à Presidência destaca-se a Prospect Consultoria Empresarial. Documentos e dados apurados pela CPMI do INSS comprovam que a Prospect funcionou como a principal calha de escoamento de verbas ilícitas desviadas de aposentados. Apenas essa empresa sediada na sala 2601 recebeu o aporte colossal de R$ 204,2 milhões repassados por entidades associativas sob investigação, incluindo transferências milionárias oriundas de organizações como Unaspub, Ambec e CBPA. O numerário, segundo a Polícia Federal, circulava por essa intrincada rede corporativa para lavar os capitais e financiar o patrimônio dos envolvidos no escândalo.

Até a publicação da matéria, reporta o ICL Notícias, nem a defesa de Flávio Bolsonaro, nem a dos demais citados e investigados encaminharam respostas aos questionamentos do ICL Notícias. O espaço permanece aberto para eventuais manifestações das partes.

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