E na esteira do contrato, Mendonça publicou vídeo onde afirmava que doaria 90% dos lucros do ITER para obras de caridade. Igual Deltan.

Abordamos também o contrato firmado com o governo de Cláudio Castro no Rio de Janeiro. A assinatura e a liberação da verba ocorreram apenas 11 meses depois — e 17 dias após o voto favorável de André Mendonça contra a inelegibilidade de Castro. Um caso clássico do casto Mendonça com Cláudio, o Castro.
No Xadrez de Mendonça 2, expusemos os negócios do ITER com o Conselho Federal de Contabilidade (CFC), o envolvimento dos principais associados no caso Master e os contratos insólitos celebrados pelo CFC com o instituto: um destinado ao curso “A Arte e a Ciência da Oratória” e outro focado em uma “imersão de liderança e governança destinada a até 100 pessoas: presidente, vice-presidente, conselho consultivo, diretores e técnicos do CFC e dos Conselhos Regionais”.
O acordo, no valor de R$ 1,2 milhão, previu um ano de cursos e palestras nas áreas de direito e administração pública para uma “Escola de Governo” do consórcio.
A Escola foi criada em 28 de abril de 2025, e o contrato com o ITER acabou sendo assinado menos de três meses depois.
Onde está o ponto nebuloso?
O contrato foi assinado por Guto Issa (PSD), então prefeito de São Roque e presidente do consórcio na época. Em 2024, o Regime Próprio de Previdência Social (RPPS) de São Roque aplicou R$ 93,15 milhões em Letras Financeiras do Banco Master, registrando o segundo maior prejuízo municipal entre os 18 fundos previdenciários atingidos pela quebra da instituição — ficando atrás apenas de Maceió.
Em 2025, à medida que o caso Master avançava, Guto Issa contratou conferências do Ministro Gilmar Mendes, seguidas por apresentações do Procurador-Geral Paulo Gonet e, por fim, pelo contrato milionário com o ITER.
Até o momento, não há notícias de providências adotadas contra a prefeitura de São Roque nem contra os escritórios de contabilidade envolvidos. Enquanto isso, Cláudio Castro ostenta os votos contrários à sua inelegibilidade proferidos pelo casto Mendonça e por Kassio Nunes Marques.
A doação em off
Três dos cinco maiores contratos do ITER são de entidades direta ou indiretamente envolvidas com o caso Master ou com votações de Mendonça no TSE: Cláudio de Castro, Conselho Federal de Contabilidade e Cioeste.
Ao mesmo tempo, Mendonça publicou um vídeo no qual orava fervorosamente ao “Santo Multiplicador de Contratos”, assegurando que doaria 90% dos ganhos para obras de caridade.
Paralelamente, transformou o ITER em uma sociedade anônima fechada.
Segundo a Lei das S/As:
Em uma S.A. fechada, diferentemente do que ocorre em uma sociedade limitada (Ltda.), a movimentação acionária não exige alteração contratual pública a cada transferência. Assim, é possível conhecer o dividendo total distribuído sem conseguir identificar imediatamente seus destinatários individuais.
De um lado, Mendonça alardeia a caridade; de outro, reduz a transparência de sua empresa — estratégia similar à adotada por Deltan Dallagnol.
Se quisesse ser levado a sério, Mendonça registraria a promessa em um cartório e conferiria a alguma entidade acima de qualquer suspeita a responsabilidade de auditar os gastos.
Jeremias 9:5 — “E cada um engana o seu próximo, e não falam a verdade; ensinaram a sua língua a falar a mentira.”