“A GENTE INVESTE EM ESCOLA HOJE OU EM CADEIA AMANHÔ, DISSE LULA, EM COMÍCIO NO RIO COM EDUARDO PAES NA PRESENÇA DE MILHARES DE PESSOAS
afinsophia 22/08/2026 0
DEFESA DA EDUCAÇÃO
Ao lado de Eduardo Paes (PSD), candidato ao governo do RJ, Lula defendeu ensino integral e combate ao crime organizado
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O candidato à reeleição para a Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), participou, neste sábado (22), do primeiro comício de sua campanha de reeleição no Rio de Janeiro, realizado no Estádio Proletário Guilherme da Silveira Filho, conhecido como Moça Bonita, em Bangu, na zona oeste da capital fluminense.
Em seu discurso, Lula destacou a educação como prioridade. “A primeira coisa é continuar fortalecendo a educação. Nós vamos colocar nesse país escola de tempo integral em toda escola pública”. Ele defendeu que o modelo dará tranquilidade aos pais e mães que trabalham e ampliará as atividades pedagógicas e culturais dos alunos.
“A nossa escolha é: ou a gente investe em educação hoje, investe em escola, ou vai ter que investir em cadeia amanhã”, disse o presidente. Lula relembrou a expansão de programas como o Programa de Apoio a Planos de Reestruturação e Expansão das Universidades Federais (Reuni), o Programa Universidade para Todos (Prouni), o Fundo de Financiamento Estudantil (Fies) e a criação de unidades dos institutos federais, além da implantação do programa Pé de Meia.
Lula estabeleceu um paralelo entre as despesas destinadas à manutenção de detentos no sistema prisional e o investimento por aluno no ensino superior público.
O candidato à reeleição mencionou que um estudante de engenharia espacial da Universidade Federal do ABC consome R$ 20 mil por ano, enquanto a manutenção de um preso em presídios de segurança máxima atinge entre R$ 35 mil a R$ 40 mil anuais.
“E quando alguém falar para vocês que custa caro fazer em educação, vocês perguntam: ‘Quanto custou não fazer?’”, pontuou o petista.
“Devolver o território”
Lula lembrou aos eleitores que enviou ao Congresso uma Proposta de Emenda à Constituição (PEC) para expandir as atribuições federais relacionadas à segurança pública, o que viabilizaria a criação do Ministério da Segurança Pública e o fortalecimento da Polícia Federal e da Polícia Rodoviária Federal.
“Nós vamos tirar o bandido do território de vocês e devolver o território ao povo do Rio de Janeiro. Pode ficar certo de que a rua é do povo, a vila é do povo, a escola é do povo, a padaria é do povo, não é dos bandidos”, disse Lula. O discurso abordou ainda a recuperação da indústria nacional de defesa para patrulhar os 16.800 quilômetros de fronteira do país.
Tecnologia
O presidente também levou para o discurso a relevância geopolítica das reservas nacionais de matérias-primas cruciais para a produção tecnológica global. “O Brasil é o segundo ou o primeiro país do mundo em reservas de minerais críticos e terras raras. Essa briga dos Estados Unidos com a China é porque a China é o país que melhor conseguiu desenvolver a exploração, a fabricação e a produção das coisas”, disse.
Na área de tecnologia da informação, o presidente defendeu investimentos no desenvolvimento de pesquisas em matemática e engenharia da computação para a consolidação de projetos nacionais. “O Brasil não quer copiar modelo chinês ou modelo americano. É inteligência artificial falando em português”, defendeu Lula.
No âmbito do desenvolvimento energético, o presidente projetou uma transição impulsionada por fontes solar, eólica e hidrogênio verde, além da atração de data centers para o país.
Alianças no Rio
O ato político de campanha reuniu o candidato ao governo do Rio de Janeiro Eduardo Paes (PSD), os candidatos ao Senado Benedita da Silva (PT) e Pedro Paulo (PSD), além de lideranças regionais. O evento serviu para mobilizar o eleitorado e consolidar a chapa da coligação “Juntos para mudar, coragem para reconstruir”, composta pelos partidos PT, PC do B, PSB, PV, PDT, MDB, DC, PSD, PSDB, Cidadania, PRD e Solidariedade.
Ao lado de Paes, Lula abordou as divergências históricas que marcaram o início de sua relação política com o agora aliado.
“Eu confesso a vocês que não gostava do Eduardo. E certamente o Eduardo não gostava de mim. Quis o destino que, em 2008, por circunstâncias políticas, nos aproximássemos”, relembrou o presidente.
Em seu discurso, antes do presidente, Paes havia destacado a união de diferentes partidos no palanque. “Figuras do Partido dos Trabalhadores, figuras que estejam a meu lado no PSD, que o que nós estamos fazendo aqui não é uma aliança de iguais, mas a gente virou amigo”.
Paes relembrou o pleito de 2022, destacando que a aliança de forças serviu para “salvar a democracia”. Ele criticou a atual situação da administração do estado, declarando que “o estado do Rio de Janeiro chegou no fundo do poço, debaixo de uma caixa de gordura”, fazendo referência a investigações de corrupção e à influência do crime organizado.
Estádio de Moça Bonita
O prefeito do Rio de Janeiro, Eduardo Cavaliere (PSD), destacou o valor histórico do local escolhido para sediar o evento, o Estádio de Moça Bonita. Cavaliere explicou que a praça esportiva pertence ao único clube de futebol carioca nascido dentro de uma fábrica, erguido por trabalhadores.
“Foi nesse estádio aqui que o clube do Bangu se recusou a jogar a Liga Metropolitana no começo do século 20, porque os outros clubes não queriam jogar com operários, com negros, com trabalhadores”, disse o atual prefeito carioca. Ele relembrou também que o local marcou a última partida da seleção brasileira comandada pelo técnico João Saldanha antes de ser demitido sob pressões do regime militar.