“NÃO É FALTA DE RECURSOS, É ESCOLHA POLÍTICA”: CONFERÊNCIA DE AIDS DEBATE FINANCIAMENTO NO RIO DE JANEIRO
afinsophia 27/07/2026 0
COMBATE AO HIV
Especialistas apontam que três dias de orçamento militar mundial cobririam a resposta ao HIV
- SÃO PAULO (SP)
- AFONSO BEZERRA E ANA ROSA CARRARA E MARIA TERESA CRUZ
A 26ª Conferência Internacional de Aids, principal evento do mundo sobre o tema, acontece até a próxima sexta-feira (31), no Rio de Janeiro (RJ), em meio a uma retração do financiamento internacional da resposta ao HIV.
Segundo o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/Aids (Unaids), os recursos destinados ao enfrentamento da epidemia sofreram uma redução entre 30% e 40% em 2025, na comparação com o orçamento disponível em 2023. Paralelamente, a assistência internacional ao desenvolvimento registrou uma queda de 23%, a maior já documentada, comprometendo programas de prevenção, tratamento, pesquisa e iniciativas lideradas pelas comunidades.
Desde 2010, as mortes relacionadas à doença caíram 56%, enquanto as novas infecções por HIV foram reduzidas em 43%. Atualmente, mais de 32 milhões de pessoas têm acesso ao tratamento antirretroviral, o equivalente a 78% das 40,9 milhões de pessoas vivendo com HIV em todo o mundo.
Em entrevista ao É de Manhã, da Rádio Brasil de Fato, Juliana César, coordenadora de articulação política, relações internacionais e comunicação da Gestos, alerta para o risco de reversão de décadas de avanço. “E não é por falta de solução científica, de avanço da ciência, de medicamentos, de nada disso. É por escolha política e falta de financiamento. A gente tem as ferramentas atualmente para acabar com a Aids como ameaça de saúde pública até 2030, que é uma das metas de desenvolvimento sustentável. Já temos tecnologia suficiente; a medicação já torna intransmissível para quem a usa regularmente. A gente tem essas ferramentas. O que está faltando é a responsabilidade política e a alocação de recursos”, afirma.
A coordenadora da Gestos também falou sobre o simbolismo de um evento de porte internacional sobre o tema estar acontecendo no Brasil e destacou a importância do Sistema Único de Saúde (SUS) no combate ao HIV. “A gente tem um país da dimensão que é o Brasil, que consegue garantir essa resposta, que tem a oferta dos medicamentos, que tenta conseguir os medicamentos mais recentes, mais eficazes, o que a gente não consegue, infelizmente, ainda, por ganância de farmacêuticas que ainda colocam valores absurdos para medicações que poderiam garantir esse fim do HIV”, critica Juliana César.
Para ouvir e assistir
O É de Manhã vai ao ar de segunda a sexta-feira às 07h da manhã na Rádio Brasil de Fato, 98.9 FM na Grande São Paulo, com transmissão simultânea também pelo YouTube do Brasil de Fato.