“ELITES DO BRASIL ESTÃO DISPOSTAS A DEFENDER UM PAÍS ESTRANGEIRO E NÃO NOSSA SOBERANIA”, DISSE ECONOMISTA
afinsophia 23/07/2026 0
TARIFLÁVIO
Pedro Faria critica taxas de Donald Trump contra o Brasil, que considera ‘um mecanismo totalmente burro’
Quem achava que o imperialismo dos Estados Unidos contra o Brasil era prática antiga, reservada aos livros de História, se surpreendeu. Ele se expressa de forma muito concreta no tarifaço de 25% que o presidente Donald Trump determinou sobre produtos brasileiros e que entrou em vigor nesta quarta-feira (22). Além disso, o país coordena um ataque contra o sistema de pagamento brasileiro Pix, que não cobra taxas e reduz lucros das empresas de cartões de crédito estadunidenses.
O economista e historiador Paulo Faria avalia as justificativas para as taxas como grosseiras. “O comércio exterior é mais complexo e a política econômica que o Trump parece adotar é muito pouco articulada, muito baseada nessas ideias simplistas, toscas, associadas a visões políticas igualmente simplistas e que seguem esse roteiro de tentar criar uma visão internacional da extrema direita.”
O especialista destaca que, por trás do discurso, articulam-se interesses políticos e econômicos, que utilizam as elites do país, dispostas “a defender as ações de um país estrangeiro, em vez de defender a soberania”.
As tarifas legítimas e as ‘burras’
Faria diferencia o uso legítimo da política econômica do que chama de uso “desordenado e político”. “O uso de tarifas de importação é uma ferramenta legítima para qualquer país para construir sua política industrial, para proteger, inclusive, empregos qualificados, de indústrias estratégicas, que têm valor para a classe trabalhadora.”
Mas, segundo o economista, Trump faz outra coisa. “É um uso desordenado, político de tarifas. E isso aí traz o impacto para a classe trabalhadora estadunidense. Quando você tem um uso indiscriminado de tarifas, sem ser parte de uma política mais ampla de política industrial, que envolve crédito, que envolve fomento a setores estratégicos, que envolve garantia de emprego, isso se transforma em inflação”, explica.
Perseguição ao Pix
Pedro Faria afirma que há, no entanto, uma irritação de setores financeiros dos EUA com a quebra de monopólio de sistemas de pagamento. Segundo o economista, o Pix é, fundamentalmente, um “exercício de soberania brasileira”.
Ele explica que operadoras de cartão e big techs perderam o poder de ditar as regras em um espaço econômico vital. “O que elas gostariam é que esse controle fosse delas e que elas pudessem extrair rendas de monopólio. Ao invés de fornecer um serviço em um ambiente de concorrência capitalista, elas não se interessam em oferecer o serviço em um ambiente de concorrência, onde elas podem até ganhar dinheiro, mas não controlar”, ressalta.