POLÍCIA FEDERAL DISSE AO STF QUE PERITO MONTOU DOSSIÊS SOBRE MORAES E TOFFOLI E ARTICULOU VAZAMENTO À IMPRENSA

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Relatório aponta que servidor criou arquivos sobre ministros com dados do celular de Vorcaro e insistiu em divulgar conteúdo

Arquivo Agência Brasil

A Polícia Federal informou ao Supremo Tribunal Federal (STF) que o perito criminal João Cláudio Nabas produziu arquivos específicos com menções aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli e sugeriu a colegas de corporação o vazamento do material para a imprensa. Os documentos foram elaborados a partir de dados extraídos do celular do banqueiro Daniel Vorcaro, apreendido no âmbito da Operação Compliance Zero.

As conclusões foram enviadas ao ministro André Mendonça, relator da investigação que apura a quebra de sigilo funcional. O caso resultou em uma operação de busca e apreensão contra Nabas em maio, além de seu afastamento das funções públicas. As informações foram publicadas originalmente pelo jornal O Estado de S. Paulo.

De acordo com o relatório da PF, os arquivos criados digitalmente foram nomeados como “Moraes.pdf” e “Toffoli e esposa.pdf”. O primeiro compilava trechos de um contrato de R$ 129 milhões do Banco Master com a advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro Alexandre de Moraes. Dias após a suposta sugestão de vazamento, detalhes deste contrato foram divulgados pelos veículos de comunicação.

Pressão e arquivos sem identificação

Depoimentos de policiais que integravam a força-tarefa indicam que o perito, lotado em Vilhena (RO), realizava a análise dos dados de forma remota. Em dezembro de 2025, ele teria enviado o primeiro documento em formato PDF, sem qualquer identificação ou cabeçalho oficial, acompanhado de um áudio sugerindo a divulgação do conteúdo.

Mesmo diante da recusa expressa da equipe, que afirmou que não faria contato com jornalistas, Nabas teria insistido na estratégia e enviado o segundo arquivo, focado no ministro Dias Toffoli e em sua ex-esposa, Roberta Rangel. Esse documento reunia informações sobre o resort Tayayá, empreendimento que recebeu aporte de R$ 20 milhões de um fundo administrado pelo cunhado de Vorcaro e no qual o magistrado possuía participação acionária.

Desvio de escopo institucional

No pedido enviado ao STF para realizar as buscas contra o servidor, a PF sustentou que a análise de metadados reforçou os indícios de autoria do repasse clandestino. A corporação apontou desvio de conduta na atuação do perito:

“De forma clara, ao se analisar os fatos acima declinados e a linha temporal dos acontecimentos, que João Nabas, tão logo acessou os dados extraídos do aparelho telefônico de Daniel Vorcaro, sem ordem ou consentimento das autoridades policiais que conduzem a operação, direcionou seus esforços em sentido contrário ao escopo precípuo das investigações, buscando, no material objeto de análise, supostos elements desabonadores de Ministros desta Suprema Corte, com o intuito comprovado de publicizar tais informações por meio da imprensa nacional”.

Pela legislação brasileira, integrantes do STF possuem foro por prerrogativa de função e investigações ou diligências que os envolvam dependem de autorização prévia e expressa do próprio tribunal. Logo após o episódio, Nabas foi formalmente excluído da equipe de investigação e teve todos os seus acessos a sistemas e materiais apreendidos bloqueados.

A defesa de João Cláudio Nabas não se manifestou ao ser procurada pela reportagem do Estadão. Os ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli também não emitiram pronunciamentos sobre o caso.

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