EXPLODIU: FLÁVIO BOLSONARO BATE-BOCA COM JORNALISTA DO ESTADÃO, ELIANE CANTANHÊDEAPÓS ARTIGO SOBRE ESCÂNDALO MASTER

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Eliane Cantanhêde, também da Globo, fez apenas a mais óbvia das perguntas que envolvem o caso: Por que o ministro André Mendonça não investiga o senador? Foi aí que ele perdeu o controle, confira

Por: Henrique Rodrigues: 22/06/2026 – 
O senador Flávio Bolsonaro envolvido no Bolsomaster – Foto: Pierre Duarte/Folhapress

Acuado pelo avanço das investigações e pela devastação de sua imagem pública, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) perdeu a compostura nas redes sociais neste domingo (21) e bateu boca publicamente com a veterana jornalista Eliane Cantanhêde, colunista do jornal O Estado de S. Paulo e comentarista da Globo. A explosão do parlamentar reflete o desespero de quem vê se fechar sobre si uma atmosfera de suspeitas em torno do caso Master, justamente no momento em que ele tenta se viabilizar como pré-candidato à Presidência da República.

A reação do filho 01 de Jair Bolsonaro foi imediata e agressiva. Flávio utilizou seu perfil na rede social X (antigo Twitter) para atacar diretamente a publicação oficial do jornal. Em tom ríspido, ele escreveu:

“Porque o investimento privado feito em um filme privado e sem contrapartida pública é tão legal quanto o feito em publicidade no Estadão. Não há absolutamente nada de errado. Pelo seu raciocínio, deveria haver busca e apreensão em cima dos donos Estadão (com o que eu não concordo). Porém, contudo, todavia, o Lula baiano é acusado de CORRUPÇÃO!!! Ou seja, por mais que você torça contra mim, possibilidade de crime só há na relação do líder do governo e fiel escudeiro de Lula com o Augusto Lima e o Master, e não no caso do filme”

Cerco se fecha: As mentiras que desabaram neste domingo

Para compreender a fúria do parlamentar, é preciso contextualizar o inferno astral que ele enfrenta. O domingo já havia amanhecido tenso para Flávio após uma revelação bombástica do jornal O Globo. O colunista Lauro Jardim trouxe a público a informação de que o senador mentiu reiteradamente sobre a cronologia de suas relações com o banqueiro Daniel Vorcaro, pivô do esquema de fraudes financeiras do Banco Master.

A defesa do senador vinha sustentando que o único contato presencial relevante havia ocorrido no final de novembro de 2025, na residência de Vorcaro em São Paulo, para supostamente “dar um ponto final” nas negociações de patrocínio para o filme Dark Horse. No entanto, Jardim revelou que os dois já se reuniam secretamente a sós desde o primeiro semestre do ano passado, em uma mansão alugada pelo banqueiro em Brasília.

Essa nova peça do quebra-cabeça destrói a narrativa anterior de Flávio, que no início do escândalo chegou a afirmar que sequer conhecia o empresário. Posteriormente, quando confrontado com o fato de seu contato estar no celular de Vorcaro, alegou que seu número “não era segredo para ninguém” na capital federal. A máscara caiu em definitivo quando o portal The Intercept Brasil divulgou mensagens onde o senador tratava o magnata criminoso pelo apelido íntimo de “irmãozão”. Mais do que a proximidade, as investigações apontam que Flávio tentou levar R$ 134 milhões do banqueiro, tendo conseguido efetivamente abocanhar R$ 61 milhões em depósitos no exterior. A desfaçatez da relação ficou nítida quando descobriu-se que o parlamentar viajou a São Paulo para visitar o aliado quando este já utilizava tornozeleira eletrônica e cumpria medidas cautelares.

Estratégia frustrada de cortina de fumaça

Antes de explodir contra Eliane Cantanhêde, Flávio Bolsonaro gastou precioso capital político nos últimos dias tentando empurrar o foco do escândalo para o campo adversário. O senador e seus aliados lideraram uma ofensiva para inflar as suspeitas que pesam sobre o senador baiano Jaques Wagner (PT), líder do governo no Senado, também citado em desdobramentos do caso.

A estratégia de criar uma cortina de fumaça partidária, contudo, redundou em um retumbante fracasso. A opinião pública e a imprensa profissional não morderam a isca. Embora o envolvimento de figuras governistas seja alvo de apuração, a gravidade e a especificidade das cifras que envolvem Flávio, os R$ 134 milhões exigidos e os R$ 61 milhões recebidos de forma nebulosa de um banqueiro sob investigação, mantiveram o filho do ex-presidente firmemente fincado nas manchetes policiais. Ao perceber que não conseguiria usar Jaques Wagner como escudo humano, o nervosismo do senador transbordou.

Sob os refletores: A incômoda blindagem de André Mendonça

O ponto nevrálgico do artigo de Cantanhêde, e que gerou o curto-circuito em Flávio, é a crescente e insustentável pressão das redes sociais e de setores jurídicos sobre o ministro André Mendonça, relator do Caso Master no Supremo Tribunal Federal.

A omissão de Mendonça em autorizar mandados de busca e apreensão ou a abertura formal de um inquérito específico contra Flávio Bolsonaro já começou a “pegar mal” institucionalmente. Nos bastidores do Judiciário, avalia-se que a postura do magistrado, indicado ao cargo por Jair Bolsonaro sob a alcunha de “terrivelmente evangélico”, configura uma linha clara de proteção política a um aliado ideológico extremista. Diante de um conjunto de provas tão robusto e de sucessivas mentiras desmascaradas, a inércia do relator começa a constranger o próprio Supremo.

Ao atacar a imprensa e tentar equiparar uma transação comercial legítima (como a venda de publicidade de um jornal) a repasses milionários e secretos de um banqueiro fraudador, Flávio Bolsonaro sinaliza que perdeu os argumentos técnicos. O tom beligerante adotado no X é o último recurso de quem sabe que, caso a blindagem de André Mendonça sofra qualquer fissura nos próximos dias, a pré-candidatura presidencial será o menor dos seus problemas.

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