ELEIÇÃO DISPUTADA
Candidato do Juntos pelo Peru afirma que há irregularidades na votação em Lima e em seções eleitorais no exterior
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
O candidato presidencial da coligação de esquerda Juntos pelo Peru, Roberto Sánchez, propôs formalmente nesta sexta-feira (12) à sua adversária de direita, Keiko Fujimori, que solicitem conjuntamente uma revisão minuciosa e uma recontagem completa dos votos do segundo turno das eleições presidenciais junto aos órgãos eleitorais.
Sánchez destacou que essa ação busca garantir transparência absoluta, legitimidade e estabilidade política no país andino, independentemente de quem sair vitorioso em uma disputa em que cada setor conta com o apoio de cerca de nove milhões de cidadãos.
O partido de Keiko Fujimori, Fuerza Popular, porém, rejeitou a proposta, argumentando que seguiria os procedimentos legais estabelecidos para a contagem final.
Denúncias
O candidato de esquerda, que concorreu em nome do legado do ex-presidente Pedro Castillo, denunciou que, enquanto a Fuerza Popular pretende anular os votos das regiões sul do país, sua organização política detectou supostas irregularidades na capital, Lima, bem como em seções eleitorais instaladas no exterior.
A direção da Juntos por el Perú considerou inaceitável o fato de as autoridades competentes terem alterado as condições do processo no meio do dia, descartando o registro digital da ata em favor de um sistema manual.
Esse problema causou um atraso incomum de três dias na contagem internacional e semeou desconfiança e incerteza em um eleitorado que buscava pôr fim a uma década de acentuada instabilidade institucional, na qual oito presidentes se sucederam devido às constantes deposições impulsionadas por grupos de interesse no Legislativo.
Sánchez pediu que as manifestações de seus apoiadores fossem pacíficas e exigiu que nenhum obstáculo fosse colocado no caminho do legítimo direito de protestar.
Ele afirmou que o objetivo final de sua proposta é que cada registro seja tornado público para os 35 milhões de peruanos, a fim de que herdem um legado de certeza democrática que permita ao país ser governado de forma inquestionável durante o período constitucional de 2026-2031.
O relatório do Escritório Nacional de Processos Eleitorais (ONPE) do Peru, divulgado em 10 de junho de 2026, indicou que, com 97,9% dos votos apurados, Sánchez manteve a vantagem sobre a candidata de direita Keiko Fujimori. A diferença chegou a quase 10.000 votos.
Estimativas locais indicaram que o voto no exterior favoreceu esmagadoramente Fujimori, que, com 67,4% dos votos apurados fora do território nacional, obteve cerca de 130.000 votos, em comparação com os aproximadamente 80.000 votos do representante das forças de esquerda.
com informações da teleSur