‘SEM TRANSIÇÃO’, MANIFESTANTES FECHARAM A AVENIDA PAULISTA PELO FIM DA ESCALA 6X1
afinsophia 26/05/2026 0
TEM QUE SER JÁ
Enquanto Congresso discutia a redução de jornada, trabalhadores reivindicavam a jornada de 40 horas semanais
- SÃO PAULO (SP)
- REDAÇÃO BRASIL DE FATO
Nesta segunda-feira (25), mesmo dia em que a comissão especial do Congresso Nacional analisava o parecer do relator pelo fim da escala 6 por 1, a Avenida Paulista, em São Paulo, foi tomada por trabalhadores exigindo a diminuição da jornada de trabalho de 44 horas e o direito de dois dias de descanso por semana.
“Não vai ter nenhum inimigo do povo que está lá em Brasília que vai impedir a vitória do povo brasileiro. Por isso, a gente não aceita nenhuma transição. A gente quer o fim da escala 6×1 na semana que vem, assim que acabar a votação no Congresso”, disse Ana Paula Perles, coordenadora nacional do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), logo no início da manifestação.
“Nós estamos em uma semana histórica. A redução de jornada sem redução de salário sempre foi uma luta das centrais sindicais e dos sindicatos. E essa semana, através do convencimento da sociedade, ao ganhar a opinião pública, o Congresso vai aprovar essa pauta tão importante para o trabalhador e para a trabalhadora. Só com mobilização nós vamos conseguir avançar pelo fim de escala 6×1 e a redução de jornada sem redução de salário, sem transição”, falou o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos do ABC Paulista, Wellington Damasceno.
“Quando você consagra um direito, não pode ter transição para viabilizar um direito. Essa é a velha história de ir empurrando com a barriga. Eu sou contra essa transição de um ano, porque, quando é para a classe trabalhadora, tem transição; quando é para os privilegiados, os burgueses, os empresários, os banqueiros, os latifundiários, não tem transição, é imediato”, disse o ex-deputado federal José Genoíno, que lembrou que a reivindicação de 40 horas semanais era uma pauta desde a constituinte de 1988.

Natálaia Boulos, do MTST, lembrou que, desde 1988, não houve redução da jornada no país e criticou os que são contra a mudança. “A verdade é que o debate do fim da escala 6×1 mostrou quem são os verdadeiros defensores da família nesse país. Mostrou que bolsonaristas se preocupam só com a família deles”.
A empresária Isabela Raposeiras também subiu no carro de som para defender não só o fim da escala 6×1, mas a implantação da escala 3×4. “Eu sou patroa e eu sou contra a escala 6×1. Há 20 anos que eu abro meu comércio e nunca cobrei a escala 6×1. Não existe argumento empresarial, nem econômico, porque as empresas que estão no 5×2 ou 4×3, como a minha, estão muito melhores. E aqueles que não querem a escala 6×1, sabe por quê? Eles não querem, porque são escravocratas”.
O último a falar foi Matheus Rigonatti, coordenador estadual em São Paulo do Movimento VAT (Vida Além do Trabalho), que pediu que a mobilização seja mantida essa semana. “Vamos nos mobilizar nos dias 27 e 28 na internet e nas ruas para mostrar que quem manda nesse país é o povo”, disse Rigonatti, que ainda destacou que, se o Congresso Nacional não aprovar o projeto, o Brasil entrará “em greve geral”.