LUIS NASSIF: COMO DESENTENDER A BARAFUNDA DA VOTAÇÃO DE JORGE MESSIAS

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Se quiser desentender o momento, leia as análises políticas sobre o episódio.

Jorge Messias por Marcelo Camargo – Agência Brasil

A cobertura política de Brasília tem dois problemas crônicos diante de votações ambíguas: não entende o jogo e, não entendendo, parte para um raciocínio dedutivo às avessas. Define primeiro as consequências, depois quem se beneficia, e a partir daí instala-se a confusão.

Vamos ao jogo, dividindo cada cenário entre agentes (beneficiados) e alvos (atingidos).

Cenário 1 — a votação bloqueou a CPI do Master 

Agentes diretos: deputados do Centrão, que têm interesse próprio em evitar investigações no sistema financeiro. 

Beneficiados colaterais: Alexandre de Moraes e Toffoli, cujas exposições no ecossistema Master ficam fora do holofote parlamentar. A distinção importa: eles não articularam o bloqueio, mas agradecem o resultado.

Cenário 2 — avanço na redução de penas dos condenados do 8 de janeiro 

Agentes: Flávio Bolsonaro e o núcleo familiar. 

Alvos: Alexandre de Moraes e o Supremo, cuja autoridade sobre as condenações é diretamente contestada.

Cenário 3 — abertura para impeachment de ministros do STF

Agentes: a ala parlamentar da direita, usando Fux e Mendonça como cobertura de legitimidade interna ao tribunal — não como articuladores, mas como sinal de que o próprio STF está dividido. 

Alvos: Moraes, Gilmar e Toffoli, e por tabela o governo Lula, que depende do tribunal como escudo.

Cenário 4 — escalada do impeachment como instrumento político 

Agentes: Flávio Bolsonaro e o Centrão, que transformam o impeachment em moeda de negociação permanente, sem necessariamente querer executá-lo. 

Alvos: governo Lula e os ministros mais expostos do STF.

Cenário 5 – o desequilíbrio no STF, com o grupo majoritário (liderado por Gilmar, Flávio e  Alexandre) perdendo maioria.

Agentes – André Mendonça e Centrão.

Alvos: Moraes, Gilmar e Flávio.

Problema: Gilmar e Flávio Dino apoiaram publicamente a indicação de Jorge Messias

Entenderam o jogo? Nem eu.

A versão de que Alexandre de Moraes pretendeu retaliar o governo Lula, pelo não apoio quando começou a Lava Jato 2, não explica o fato de que o fortalecimento do Centrão ameaça diretamente seu cargo como Ministro. Nem o fato de que a derrubada do veto da dosimetria é uma investida contra ele próprio, principal responsável pelas sentenças aos amotinados de 8 de janeiro.

Enfim, se quiser desentender o momento, leia as análises políticas sobre o episódio.

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