DINO PROPÕE PENAS MAIS DURAS E PERDA AUTOMÁTICA DE CARGO PARA CORRUPÇÃO NO JUDICIÁRIO
afinsophia 27/04/2026 0
A proposta abrange juízes, procuradores, advogados públicos e privados, defensores, promotores, assessores e servidores do sistema judicial em geral

O ministro do Supremo Tribunal Federal Flávio Dino defendeu neste domingo (26) uma reforma do Código Penal para endurecer as punições contra crimes cometidos por integrantes do sistema de Justiça. Em artigo publicado no jornal Correio Braziliense, Dino propõe três eixos principais: penas mais altas, afastamento imediato do cargo após o recebimento de denúncia e tipificação mais ampla da obstrução de Justiça.
Propostas
Afastamento imediato. O ministro propõe que o simples recebimento de uma denúncia pela Justiça já seja suficiente para afastar o acusado de suas funções.
A condenação definitiva, por sua vez, deveria gerar a perda automática do cargo, sem necessidade de etapas adicionais. No caso de advogados, o recebimento da denúncia implicaria suspensão na OAB, e a condenação, o cancelamento definitivo do registro.
Criminalização ampla da obstrução de Justiça. Dino propõe punir ações que visem impedir, embaraçar ou retaliar o andamento de processos e investigações, e defende que essa punição se aplique independentemente de o crime estar associado a organizações criminosas.
Para o ministro, qualquer obstrução ao bom funcionamento da Justiça já é, por si só, suficientemente grave para justificar a criminalização.
“Justicídio”
Para descrever as violações recorrentes à integridade do sistema por parte daqueles que deveriam aplicar a lei, Dino recorre ao termo “justicídio”. No artigo, ele afirma ser “evidentemente reprovável que um conhecedor e guardião da legalidade traia a sua toga ou beca.”
O ministro argumenta que a criação de tipos penais específicos para a corrupção no sistema de Justiça se justifica pela necessidade de proteger o prestígio e a lisura das instituições, respondendo de forma “efetiva e proporcional à gravidade das transgressões.”
Órgãos de controle
Dino reconhece a relevância do Conselho Nacional de Justiça (CNJ) e dos códigos de ética das carreiras jurídicas, mas avalia que esses instrumentos tornaram-se insuficientes diante de redes sofisticadas de lavagem de dinheiro e do que chama de “ultra-individualismo” que tomou conta do setor público.
Para o ministro, a confiabilidade é o atributo central para a legitimação democrática do Direito — e é justamente por isso que quem atenta contra a administração da Justiça merece tratamento legal específico e mais rigoroso.
*Com informações do g1.