O movimento ocorre em um momento de alta tensão logística e econômica. O Estreito de Ormuz, via por onde escoa 20% do petróleo e gás natural liquefeito global, permanece paralisado sob um duplo bloqueio. A paralisia levou o presidente do Conselho Europeu, António Costa, a classificar a reabertura da rota como “vital para o mundo”.
Distanciamento diplomático
Apesar da presença dos enviados especiais americanos Steve Witkoff e Jared Kushner em solo paquistanês, o diálogo direto ainda é um impasse. Embora a Casa Branca tenha sinalizado a intenção de promover um encontro face a face, Araghchi reiterou que não possui planos de se reunir pessoalmente com a delegação dos EUA, preferindo a triangulação via diplomatas paquistaneses.
Essa dinâmica marca um retrocesso protocolar em relação à primeira rodada de conversas, há três semanas, quando o vice-presidente dos EUA, JD Vance, chegou a estar na mesma mesa que os iranianos.
O clima de hostilidade é alimentado pela presença militar ostensiva de Washington na região, que conta agora com o reforço do porta-aviões USS George H.W. Bush.
Otimismo de Trump e ceticismo regional
Na sexta-feira (24), o presidente Donald Trump demonstrou confiança na resolução do conflito, sugerindo que a nova postura de Teerã poderia convergir com os interesses americanos.
“Não quero dizer isso, mas estamos lidando com as pessoas que estão no comando agora”, afirmou o republicano, minimizando a pressa ao declarar que tem “todo o tempo do mundo” para negociar.
Contudo, a estabilidade na região vizinha, o Líbano, permanece frágil. Trump prorrogou a trégua entre Israel e o Líbano por três semanas, mas o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu acusou o Hezbollah de tentar sabotar o processo. Em contrapartida, o grupo extremista, que conta com o apoio de Teerã, classificou a prorrogação como “sem sentido“, citando hostilidades persistentes de Israel.
Impacto econômico
O mercado de petróleo reagiu com otimismo cauteloso à entrega dos documentos iranianos, fechando a última sessão em alta. Investidores monitoram se o conteúdo das exigências de Araghchi, ainda mantido sob sigilo, será suficiente para flexibilizar as sanções e permitir a desobstrução das rotas marítimas, cujo fechamento ameaça a segurança energética global.
Com informações da Reuters