A reação mais contundente veio do Partido Democrata. Segundo o jornal britânico The Guardian, parlamentares classificaram o discurso como “inaceitável” e chegaram a acusar o presidente de sugerir um crime de guerra.
Para esses críticos, ao mencionar a destruição de infraestrutura essencial — como energia e transporte — Trump ultrapassa limites estabelecidos por convenções internacionais que protegem populações civis em conflitos armados.
A preocupação também se estende ao próprio aparato institucional americano. Integrantes do Congresso discutem formas de limitar uma eventual ação militar unilateral, enquanto analistas alertam para o risco de um impasse jurídico e político caso ordens presidenciais entrem em choque com normas internacionais.
No cenário internacional, a resposta foi igualmente rápida. A Organização das Nações Unidas e líderes europeus expressaram preocupação com o teor das declarações, ressaltando que ataques deliberados a infraestrutura civil são considerados uma “linha vermelha” no direito de guerra.
Aliados históricos dos Estados Unidos também demonstraram desconforto. No Reino Unido, o governo enfrenta pressão interna para rever o acesso das forças americanas a bases militares britânicas, diante do risco de envolvimento indireto em uma escalada considerada ilegal por especialistas.
A retórica de Trump ocorre em um momento de alta tensão no Golfo Pérsico, com o estreito de Hormuz no centro da disputa estratégica. Responsável por uma parcela significativa do fluxo global de petróleo, a região já sofre impactos econômicos, com oscilações nos preços da energia e aumento da incerteza nos mercados.
Em uma publicação na rede Truth Social, Trump afirmou que, caso Teerã não aceite suas condições, “uma civilização inteira vai morrer” — declaração que foi interpretada por adversários políticos e especialistas como uma ameaça direta contra alvos civis, o que pode configurar violação do direito internacional.