Estragos causados por ataque iraniano a Tel Aviv |Crédito: Jack Guez/ AFP
O Irã só vai aceitar a negociação do fim definitivo da guerra iniciada pelos Estados Unidos e Israel. Segundo o professor de Relações Internacionais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) Reginaldo Nasser, o país persa acerta na análise de que uma eventual suspensão temporária do conflito seria uma manobra do governo Donald Trump.
“O Irã tem completa noção do que está acontecendo e tem o controle do processo da guerra, por isso o cessar-fogo não faz sentido”, disse Nasser em entrevista ao Conexão BdF, da Rádio Brasil de Fato.
“O Irã não tem nenhuma garantia que os EUA e Israel vão mais atacar. Pelo contrário. Parece que os EUA não sabem para onde caminhar, então esse cessar-fogo serviria para os EUA repensarem essa ações, serviria para recompor parcialmente seu sistema de defesa, enfim, não adianta nada um cessar fogo nesse momento”, avalia.
O professor explica o que os Estados Unidos querem dizer com “desembarque terrestre”, uma das estratégias que vêm sendo ventiladas na Casa Branca e que ganhou força depois do ultimato de Trump de que, caso o Estreito de Ormuz não fosse aberto até terça-feira, atacaria o Irã “com força total”.
“É para ficar em torno do Estreito de Ormuz, não para fazer uma ocupação do território. Os analistas mais otimistas comparam com o Iraque. E os mais pessimistas com o Vietnã. Eu diria que não é nem um, nem outro. O Irã tem um exército, tem um conjunto de milícias armadas em torno da Guarda Revolucionária muito mais poderoso que o Iraque. A comparação não procede. O Vietnã é diferente porque é um outro tipo de guerra e era uma outra circunstância”, explica.
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