IRÃ AFIRMOU QUE AGUARDA ENTRADA DE FORÇA MARÍTIMA DOS EUA NO GOLFO PARA ATACÁ-LO
afinsophia 29/03/2026 0
Washington anunciou a chegada de 3.500 fuzileiros navais ao Oriente Médio; Irã questiona discurso duplo dos EUA

O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou neste domingo (29) que as forças do país estão “aguardando a entrada de soldados americanos em território iraniano para poderem bombardeá-los”. A declaração veio horas depois de Washington confirmar a chegada de cerca de 3.500 fuzileiros navais à região, a bordo do navio de guerra .
Ghalibaf acusou os Estados Unidos de adotar um discurso duplo: ao mesmo tempo em que “sinaliza negociação publicamente”, o governo americano planejaria um ataque terrestre “em segredo”. Sobre a possibilidade de rendição, o parlamentar foi categórico, uma vez que o Irã não aceitará “humilhação”.
As declarações ecoam uma reportagem do Washington Post, segundo a qual o Pentágono estaria se preparando para semanas de operações terrestres no Irã, embora não esteja claro se Donald Trump aprovará qualquer ação do tipo. Na sexta-feira, o secretário de Estado Marco Rubio havia afirmado que os EUA poderiam atingir seus objetivos “sem o envio de tropas terrestres”, descrevendo os destacamentos como uma forma de ampliar as opções do presidente.
Israel ataca Teerã
As Forças de Defesa de Israel (IDF) afirmaram neste domingo ter concluído mais uma onda de ataques contra a capital iraniana, mirando centros de comando temporários e instalações de produção de armas.
Nos países do Golfo, grandes infraestruturas foram atingidas nas últimas 24 horas. A Emirates Global Aluminium, uma das maiores produtoras mundiais do metal, informou que sua principal fábrica em Abu Dhabi sofreu “danos significativos” e que funcionários foram feridos.
A Aluminium Bahrain também foi atacada. No Kuwait, o sistema de radar do aeroporto internacional foi extensamente danificado. A Arábia Saudita afirmou ter interceptado e destruído dez drones nas últimas horas.
Com economias e modos de vida ameaçados, os países do Golfo insistem em ter voz nas futuras negociações de paz, mas estão divididos sobre como se relacionar com o Irã e com os Estados Unidos.
Houthis
O sábado também foi marcado pelo primeiro ataque dos houthis do Iêmen contra Israel desde o início do atual conflito. O grupo afirmou ter lançado mísseis balísticos contra “alvos militares israelenses sensíveis” em resposta aos ataques contra Irã, Líbano, Iraque e territórios palestinos. Mais tarde, reivindicou um segundo ataque, desta vez com “uma barragem de mísseis de cruzeiro e drones” contra posições militares israelenses no sul do país.
O porta-voz militar houthi Yahya Saree declarou que as operações continuarão “até que o inimigo criminoso cesse seus ataques e agressões”. As IDF confirmaram ter interceptado um míssil lançado do Iêmen.
Para especialistas, a entrada dos houthis no conflito abre uma nova e perigosa frente. O pesquisador Farea Al-Muslimi, do Chatham House, avalia que o desdobramento é de “enorme importância” dado o peso que o grupo mantém sobre o tráfego no Mar Vermelho.
Os houthis já ameaçaram atacar o Estreito de Bab el-Mandeb, rota que responde por cerca de 12% do petróleo comercializado por via marítima no mundo e que, desde o fechamento do Estreito de Ormuz, ganhou ainda mais relevância estratégica.
Questionado sobre o impacto de um bloqueio efetivo, Al-Muslimi foi direto: “Já temos um pesadelo, e isso só o tornaria ainda pior.”
Jornalistas mortos
No Líbano, parentes e amigos sepultaram neste domingo os três jornalistas mortos em um ataque israelense no sábado: Ali Shoeib, repórter do canal Al Manar, e os irmãos Fátima e Mohamed Fetoni, da Al Mayadeen. Ao confirmar a morte de Shoeib, as IDF o acusaram de ser um operativo do Hezbollah “disfarçado de jornalista”.
O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) reagiu com uma declaração direta: “Jornalistas não são alvos legítimos, independentemente do veículo para o qual trabalham.” A diretora regional da organização, Sara Qudah, denunciou um “padrão preocupante” de Israel acusar jornalistas de serem combatentes “sem apresentar provas críveis”, prática que, segundo ela, se repete tanto neste conflito quanto nas décadas anteriores.
*Com informações da BBC Brasil.